Demência
Demência, tirana silenciosa invades-me
como névoa espessa que se entranha nos ossos da alma. Roubas-me o raciocínio
com dedos invisíveis, e a memória esvai-se como tinta diluída na chuva do tempo.
As emoções, outrora minhas, são agora tuas —trepadeiras sombrias que se
enroscam no meu peito, sufocando a lucidez com o doce veneno da ilusão.
Realidade e fantasia fundem-se como
metais em brasa na forja de um destino incerto.
O desespero, esse arcano cruel, deita-se sobre mim como um manto de espinhos, ferindo
a essência que ainda ousa lutar. Sou guerreira de carne e espírito, e mesmo
diante da quimera da loucura, busco as margens da certeza —um lugar onde o sol
ainda sabe o meu nome.
Resiliência: a palavra que pulsa
no meu sangue. A chave que abre portais para mundos onde reina a paz, onde os
horizontes são feitos de luz e silêncio, e o espírito dança livre entre
constelações esquecidas.
O vento, cúmplice da minha dor, acaricia-me
o rosto como pétalas de jasmim soltas no crepúsculo. Caminho sobre montanhas de
pedra e sombra, mas não me quebro —
porque o meu âmago é feito de fogo e verdade. De coração exposto, enfrento esta
incoerência que me atormenta, e deixo que a verdade me abrace como borboletas
que pousam na alma e a elevam aos céus.
O abstrato corre nas minhas veias
como lava —ira, paixão, saudade. Quero alcançar-te, mas és enigma selado, pragmático,
frio, sem dono, sem cor.
Ainda assim, acredito: os meus olhos espelharão o futuro, mesmo que o presente
seja um corpo inerte à beira da explosão.
A ilusão estilhaça-se. A
realidade, nua e crua, ergue-se diante de mim como um oráculo de incertezas. Mas
eu creio no divino. Creio que as conquistas pertencem aos audazes,
e que os fracos apenas dormem nas sombras do medo.

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