Floresta de
sombras
Corro sem olhar para trás numa
floresta negra, onde a luz do desfastio é um sonho distante. Meus pés doridos e
descalços sentem cada pedra, cada galho, cada ferida, como se a própria terra
estivesse conspirando contra mim. Arrepios percorrem minhas costas como setas
envenenadas disparadas do inferno, cada uma trazendo uma nova onda de terror.
Corro como se minha vida
dependesse da fuga da incerteza e do desconhecido que me persegue
implacavelmente. Ao meu redor, nada faz sentido; a realidade e a ilusão se
entrelaçam em um abraço mortal. Minhas veias gelam como teias ardentes, e estou
esgotada, mas recuso-me a sucumbir às forças malignas que me cercam.
Subo colinas com mãos
ensanguentadas, minha alma descalça e cheia de um desejo ardente de revigorar.
Cada passo é uma batalha contra o desespero, cada respiração um grito
silencioso de resistência.
Finalmente, desadormeço. Era um
sonho ou realidade? Ainda não estou em mim, perdida entre os ecos de um
pesadelo que se recusa a desaparecer.

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