Poço Sombrio
No abismo onde a
luz hesita em entrar, as serpentes do pensamento enroscam-se como amantes
perversos, sussurrando venenos que corrompem o que antes era puro. A mente,
envolta em névoa, dança com sombras que não pedem licença.
Mas há mulheres
que aprenderam a incendiar a escuridão com o próprio fogo. Mulheres que, mesmo
feridas, transformam cada chama em coreografia — uma dança feroz entre o caos e
a redenção.
Ninguém apaga a
luz de uma mulher que fez das suas cicatrizes constelações. Elas dançam com a
própria luz, mesmo quando o vento sopra como um lamento antigo. Brilham —
serenas, incandescentes, inapagáveis.
Quem dança com a
própria luz carrega um brilho que não se apaga, porque vem de dentro, onde nem
as serpentes ousam permanecer por muito tempo.
É na paz
silenciosa, entre os escombros da expectativa, que se revela o sentido profundo
de sermos humanos. A vida é um sopro — tudo é transitório, e por isso, tudo é
precioso.
No fundo do
poço, onde o tempo parece suspenso, a luz não apenas resiste — ela vinga. Mata
as serpentes com o próprio veneno, e a mente, lúcida por um instante, oferece
tréguas às sombras. E assim, entre luz e trevas, passa mais um dia.

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