terça-feira, 2 de setembro de 2025

Poço Sombrio


Poço Sombrio

No abismo onde a luz hesita em entrar, as serpentes do pensamento enroscam-se como amantes perversos, sussurrando venenos que corrompem o que antes era puro. A mente, envolta em névoa, dança com sombras que não pedem licença.

Mas há mulheres que aprenderam a incendiar a escuridão com o próprio fogo. Mulheres que, mesmo feridas, transformam cada chama em coreografia — uma dança feroz entre o caos e a redenção.

Ninguém apaga a luz de uma mulher que fez das suas cicatrizes constelações. Elas dançam com a própria luz, mesmo quando o vento sopra como um lamento antigo. Brilham — serenas, incandescentes, inapagáveis.

Quem dança com a própria luz carrega um brilho que não se apaga, porque vem de dentro, onde nem as serpentes ousam permanecer por muito tempo.

É na paz silenciosa, entre os escombros da expectativa, que se revela o sentido profundo de sermos humanos. A vida é um sopro — tudo é transitório, e por isso, tudo é precioso.

No fundo do poço, onde o tempo parece suspenso, a luz não apenas resiste — ela vinga. Mata as serpentes com o próprio veneno, e a mente, lúcida por um instante, oferece tréguas às sombras. E assim, entre luz e trevas, passa mais um dia.




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