quinta-feira, 15 de maio de 2025

Ansiedade

Ansiedade

A ansiedade é a besta que me espreita nas sombras, olhos flamejantes cravados na minha alma. Sinto o seu hálito gélido no pescoço — uma preocupação que se alastra como névoa venenosa, um medo que ruge como trovão dentro do peito. A realidade distorce-se como espelhos partidos num labirinto sem saída.

Mas não, não me deixo enganar. É ilusão. Tenho de continuar a caminhar, mesmo que os meus passos ecoem no abismo. Não me renderei às sombras que me caçam sem descanso.

Suores escorrem como chuva ácida, tremores que me enlaçam os tornozelos como lianas espinhosas, tentando enraizar-me no chão do desespero. Mas eu sou guerreira — arfante, sim, mas de pé. O coração troveja como um tambor de guerra.

Não, não, é ilusão. Continuo a andar. Não me entrego ao caos, não me resigno à ausência de luz. As trevas não terão o meu nome.

Sinto o perigo como uma lâmina invisível encostada à garganta, uma presença opressora que me quer ajoelhada. Mas não me curvo.

As minhas mãos escorregam, mas agarram-se às rochas da montanha escarpada. Subo, mesmo que o vento me fira, mesmo que o céu esteja ausente. Preciso da luz — não qualquer luz, mas a que aquece, a que cura. Preciso respirar ar puro, sair deste buraco negro que me quer devorar.

Tenho de tomar o leme, domar a fera que ruge dentro de mim. Tu és ilusão, nada mais. E eu lutarei até ao último fôlego para não seres dona de mim.

Ansiedade, angústia, inquietação — eu sou a comandante da minha alma. Tu és apenas uma sombra que se desfaz ao amanhecer. E quando a luz angelical romper o horizonte, eu respirarei fundo, em paz, e saberei: venci mais uma noite.

                                                                                                      




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