Ansiedade
A ansiedade é a besta que me
espreita nas sombras, olhos flamejantes cravados na minha alma. Sinto o seu
hálito gélido no pescoço — uma preocupação que se alastra como névoa venenosa,
um medo que ruge como trovão dentro do peito. A realidade distorce-se como
espelhos partidos num labirinto sem saída.
Mas não, não me deixo enganar. É
ilusão. Tenho de continuar a caminhar, mesmo que os meus passos ecoem no
abismo. Não me renderei às sombras que me caçam sem descanso.
Suores escorrem como chuva ácida,
tremores que me enlaçam os tornozelos como lianas espinhosas, tentando
enraizar-me no chão do desespero. Mas eu sou guerreira — arfante, sim, mas de
pé. O coração troveja como um tambor de guerra.
Não, não, é ilusão. Continuo a
andar. Não me entrego ao caos, não me resigno à ausência de luz. As trevas não
terão o meu nome.
Sinto o perigo como uma lâmina
invisível encostada à garganta, uma presença opressora que me quer ajoelhada.
Mas não me curvo.
As minhas mãos escorregam, mas
agarram-se às rochas da montanha escarpada. Subo, mesmo que o vento me fira,
mesmo que o céu esteja ausente. Preciso da luz — não qualquer luz, mas a que
aquece, a que cura. Preciso respirar ar puro, sair deste buraco negro que me
quer devorar.
Tenho de tomar o leme, domar a
fera que ruge dentro de mim. Tu és ilusão, nada mais. E eu lutarei até ao
último fôlego para não seres dona de mim.
Ansiedade, angústia, inquietação — eu sou a comandante da minha alma. Tu és apenas uma sombra que se desfaz ao amanhecer. E quando a luz angelical romper o horizonte, eu respirarei fundo, em paz, e saberei: venci mais uma noite.

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