terça-feira, 24 de junho de 2025

Desejo sombrio


                                                                    Desejo sombrio

Na penumbra da sala, onde a luz hesita, dois corpos se encontram —não apenas carne, mas tempestade contida.
Olhares incandescentes, como brasas antigas, acendem o que dormia no fundo do ser.
Um desejo ancestral, semente proibida, germina em silêncio.

Movem-se como sombras em dança ritual, um eclipse de vontades, onde o toque é feitiço e o gesto, profecia.
O mundo lá fora dissolve-se — só resta o agora, um campo de batalha e êxtase, onde o prazer é linguagem sem palavras.

Suspiros tornam-se vento, clamores, trovões. As mãos, famintas, desenham mapas secretos na pele, marcando territórios com a delicadeza de um furacão contido.

Tecem-se promessas em cada arrepio, num jogo onde não há vencedores, apenas entrega.

A roupa cai como folhas no outono, sussurrando segredos ao chão, cúmplice silencioso.
Cada toque é um verso, cada gesto, uma nota, numa sinfonia de instintos que desafia o tempo.

Na escuridão, cruzam-se fronteiras que a razão não ousa nomear.

São um só corpo, uma só chama, dançando entre relâmpagos e murmúrios, onde o céu e o abismo se tocam.

E quando a noite se rende ao primeiro sopro da aurora, o feitiço desvanece, mas o eco permanece —um sussurro gravado na pele da memória, lembrando que, por um instante, foram eternos.









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