Encruzilhada de
Emoções
Sou apenas um
bosque por desenhar, um esboço em carvão onde as cores ainda não floresceram. A
minha mente vagueia como neblina entre montanhas, sem rumo, encantada por um
feitiço que perdeu o encanto.
Habito o
silêncio como uma árvore solitária no inverno, e sou uma chama que se apaga
lentamente, como a lua que mergulha no horizonte, deixando para trás o véu
escuro da noite.
Estou numa
encruzilhada onde o rio da razão encontra o vendaval do coração. O veneno corre
como seiva corrompida nas raízes da minha alma — sucumbir, desistir ou renascer
como a fénix das cinzas?
A dor é como o vento seco do
deserto — invisível, mas cortante. A desilusão é uma tempestade que não avisa,
queima como geada fora de estação.
A humanidade, como floresta que se
esqueceu de crescer, complica o simples e teme o desconhecido como se fosse um
abismo sem fundo.
Minha alma é um deserto árido, onde
o desejo é miragem e a vontade evapora sob o sol escaldante da realidade.
As emoções são
como rios selvagens, não seguem calendários, apenas correm, arrastando-nos por
trilhos nunca pisados. A tristeza é um eclipse, a esperança, um raio de sol que
rompe as nuvens.
As encruzilhadas
da vida são como tempestades: ou nos afogam ou nos purificam.
No caos, vivemos
entre placas tectónicas de paralelismo e pragmatismo, tentando manter o
equilíbrio.
O diabo caminha
nas nossas pegadas, e mesmo com as mãos erguidas ao céu, o sol queima-nos como
se tocássemos o próprio fogo. Ficamos submersos num oceano sem ar, esperando a
maré da liberdade ou simplesmente deixamos de nadar.
Desligamo-nos do mundo e
tornamo-nos rochas, imóveis, sem brilho — pois nem todos recebem o orvalho das
emoções que adoçam a existência.
Às vezes, é
preciso aceitar a floresta como ela é, e repousar à sombra, longe dos espinhos
das ilusões e dos cacos dos corações partidos.
Hoje, a
encruzilhada é um nevoeiro espesso. Amanhã? Quem sabe… Hoje, lágrimas de sangue
regam a terra; amanhã, invisíveis, mas ainda ali, longe dos olhos que não sabem
ver.
Pedimos às
estrelas a sua luz, mas há sempre uma sombra maior que nos observa em silêncio.
Ser feliz por um
dia é como colher uma flor rara, pode perfumar mil anos de alma. Mas a
infelicidade, como erosão lenta, transforma-nos em pedra, e com o tempo, o
vento leva-nos de volta à terra.

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