quarta-feira, 2 de julho de 2025

Encruzilhada de Emoções


Encruzilhada de Emoções

Sou apenas um bosque por desenhar, um esboço em carvão onde as cores ainda não floresceram. A minha mente vagueia como neblina entre montanhas, sem rumo, encantada por um feitiço que perdeu o encanto.

Habito o silêncio como uma árvore solitária no inverno, e sou uma chama que se apaga lentamente, como a lua que mergulha no horizonte, deixando para trás o véu escuro da noite.

Estou numa encruzilhada onde o rio da razão encontra o vendaval do coração. O veneno corre como seiva corrompida nas raízes da minha alma — sucumbir, desistir ou renascer como a fénix das cinzas?

A dor é como o vento seco do deserto — invisível, mas cortante. A desilusão é uma tempestade que não avisa, queima como geada fora de estação.

A humanidade, como floresta que se esqueceu de crescer, complica o simples e teme o desconhecido como se fosse um abismo sem fundo.

Minha alma é um deserto árido, onde o desejo é miragem e a vontade evapora sob o sol escaldante da realidade.

As emoções são como rios selvagens, não seguem calendários, apenas correm, arrastando-nos por trilhos nunca pisados. A tristeza é um eclipse, a esperança, um raio de sol que rompe as nuvens.

As encruzilhadas da vida são como tempestades: ou nos afogam ou nos purificam.

No caos, vivemos entre placas tectónicas de paralelismo e pragmatismo, tentando manter o equilíbrio.

O diabo caminha nas nossas pegadas, e mesmo com as mãos erguidas ao céu, o sol queima-nos como se tocássemos o próprio fogo. Ficamos submersos num oceano sem ar, esperando a maré da liberdade ou simplesmente deixamos de nadar.

Desligamo-nos do mundo e tornamo-nos rochas, imóveis, sem brilho — pois nem todos recebem o orvalho das emoções que adoçam a existência.

Às vezes, é preciso aceitar a floresta como ela é, e repousar à sombra, longe dos espinhos das ilusões e dos cacos dos corações partidos.

Hoje, a encruzilhada é um nevoeiro espesso. Amanhã? Quem sabe… Hoje, lágrimas de sangue regam a terra; amanhã, invisíveis, mas ainda ali, longe dos olhos que não sabem ver.

Pedimos às estrelas a sua luz, mas há sempre uma sombra maior que nos observa em silêncio.

Ser feliz por um dia é como colher uma flor rara, pode perfumar mil anos de alma. Mas a infelicidade, como erosão lenta, transforma-nos em pedra, e com o tempo, o vento leva-nos de volta à terra.

                                                             


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