quarta-feira, 9 de julho de 2025

No Deserto do Eu

 




No Deserto do Eu

Mais uma noite, as sombras dançam ao meu redor como espectros antigos, guiando-me por labirintos desconhecidos onde o meu inconsciente se torna refém. O pânico e a ansiedade se instalam como tempestades súbitas, clamando por um despertar que me liberte dessas correntes invisíveis de sensações sombrias.

Como uma feiticeira diante de sua bola de cristal, busco decifrar os enigmas que me assombram. O que vejo é desconcertante: um grito silencioso ecoa dentro de mim, revelando a urgência de superar provações com ferramentas ancestrais, como se a alma pedisse raízes para atravessar o caos. A cartomante do meu íntimo sussurra que a travessia exige esforço, atenção e fé — fé na ponte frágil que liga o agora ao amanhã, fé na estrutura que sou e na capacidade de manter o equilíbrio mesmo quando o chão parece ceder.

A ponte de madeira e corda balança com o vento das incertezas. Cada passo revela o medo de cair, a dúvida sobre o destino. Mas também revela coragem, a coragem de seguir mesmo sem garantias. O lugar para onde essa ponte leva é o reflexo dos meus sonhos, das minhas metas, daquilo que ainda não sei nomear.

Sonhar com essa ponte é presságio de superação: com simplicidade, criatividade e equilíbrio, posso vencer. Mas perder-me no caminho revela outra face, a da insegurança, da confusão mental, da ausência de direção. É o espelho de uma alma que clama por reencontro consigo mesma, que sente na pele o frio da solidão e o desejo ardente de reconexão.

Na minha pele, cicatrizes invisíveis ardem em silêncio. O coração, feito vidro estilhaçado, espalha fragmentos por dentro. A mente, errante, busca compreensão como quem busca água no deserto. E nesse deserto, a beleza da vida se torna miragem.

Vivo uma guerra entre titãs: eu e o meu reflexo. Nas minhas mãos, espinhos ferem e o sangue escorre como areia entre os dedos. Meus olhos fitam o vazio, ansiando por um lampejo de esperança.

Mil emoções gritam dentro de um corpo que as aprisiona, numa mente que vagueia entre o ontem e o talvez. O futuro é um véu, o presente é um campo de batalha. Mas um dia, hei de vencer os medos e acender luzes no meu inconsciente. Porque o verbo, sempre, é lutar.

                                                                     



1 comentário:

The Guardian of Shadows

                                                              The Guardian of Shadows He is made of ink and silence. Each tattoo is a spell ...