Reticências de um silêncio entre
Abismos e Esperança
O silêncio é um
véu espesso que se estende sobre a alma — ora sereno como um lago adormecido,
ora cortante como lâminas invisíveis que dilaceram sem aviso. Ele guarda
segredos como túmulos selados, e nas suas pausas ecoam gritos que nunca foram
proferidos.
Há sombras que
não apenas escurecem o caminho, mas turvam a mente, como névoas densas que se
infiltram nos pensamentos, confundem os sentidos e afogam a clareza. São
labirintos internos onde cada passo é incerto, cada direção uma dúvida.
E mesmo assim,
caminhamos. Com os pés nus sobre trilhos de dor, com o coração em carne viva,
ainda pulsando, ainda sonhando. Refugio-me na sombra, não por medo da luz, mas
para proteger a chama frágil que ainda arde dentro de mim — essa luz que me
lembra que já vivi, que já senti, que ainda posso sentir.
Fugir das
emoções é como trancar-se num castelo sem portas — uma prisão dourada onde o
tempo não cura, apenas repete. É preciso coragem para atravessar os bosques
desconhecidos da alma, para enfrentar os lobos do passado e os fantasmas do que
nunca foi.
Lamento as
reticências de uma história que nunca começou, um livro cujas páginas foram
arrancadas antes da primeira palavra. E o que não começa, não pode terminar —
apenas permanece, suspenso, como um eco num vale esquecido.
Ainda assim,
espero. Espero por ti, pela vida, pelo instante lúcido que rasga a escuridão.
Estou à tua espera, sem medos — mesmo que todo o meu ser trema como folhas ao
vento da ansiedade.
Não fujas, vida. Ainda há tempestades para dançar, luas para contemplar, e limites para quebrar. Porque os muros que nos cercam são feitos das pedras que nós mesmos colocamos. E eu… eu ainda quero voar.

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