segunda-feira, 28 de julho de 2025

Reticências de um silêncio entre Abismos e Esperança


Reticências de um silêncio entre Abismos e Esperança

O silêncio é um véu espesso que se estende sobre a alma — ora sereno como um lago adormecido, ora cortante como lâminas invisíveis que dilaceram sem aviso. Ele guarda segredos como túmulos selados, e nas suas pausas ecoam gritos que nunca foram proferidos.

Há sombras que não apenas escurecem o caminho, mas turvam a mente, como névoas densas que se infiltram nos pensamentos, confundem os sentidos e afogam a clareza. São labirintos internos onde cada passo é incerto, cada direção uma dúvida.

E mesmo assim, caminhamos. Com os pés nus sobre trilhos de dor, com o coração em carne viva, ainda pulsando, ainda sonhando. Refugio-me na sombra, não por medo da luz, mas para proteger a chama frágil que ainda arde dentro de mim — essa luz que me lembra que já vivi, que já senti, que ainda posso sentir.

Fugir das emoções é como trancar-se num castelo sem portas — uma prisão dourada onde o tempo não cura, apenas repete. É preciso coragem para atravessar os bosques desconhecidos da alma, para enfrentar os lobos do passado e os fantasmas do que nunca foi.

Lamento as reticências de uma história que nunca começou, um livro cujas páginas foram arrancadas antes da primeira palavra. E o que não começa, não pode terminar — apenas permanece, suspenso, como um eco num vale esquecido.

Ainda assim, espero. Espero por ti, pela vida, pelo instante lúcido que rasga a escuridão. Estou à tua espera, sem medos — mesmo que todo o meu ser trema como folhas ao vento da ansiedade.

Não fujas, vida. Ainda há tempestades para dançar, luas para contemplar, e limites para quebrar. Porque os muros que nos cercam são feitos das pedras que nós mesmos colocamos. E eu… eu ainda quero voar.




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