A Vilã do Teu Amanhecer
Deixa cair uma palavra como quem abandona pétalas ao vento, e eu me torno a vilã sob o silêncio da sua lua. Vejo a loucura a nascer como relâmpago em céu de inverno, e sou a sombra que você insiste em temer.
És uma sombra
como o lago que nunca reflete o sol, como uma árvore que rejeita o outono, mas
ainda assim perde as suas folhas.
Se pudesse rir como o eco perdido nas montanhas, eu te prenderia. Se eu pudesse sorrir como o último raio antes da noite, seríamos dois corações errantes sob o mesmo luar. Mas preferes o frio à ternura.
Se eu pudesse rir como o riacho que dança entre pedras, eu deslizaria. Se eu pudesse sorrir como o sol que rompe a neblina, seríamos dois astros brincando no mesmo espaço. Mas preferes o eclipse à luz.
Se eu pudesse amar como a chuva ama a terra, eu ficaria com a entrega das estações, como qualquer estrela ama seu céu distante, qualquer estrela, qualquer céu.
Eu sei o que sou
— sou a noite que te observa em silêncio, e não me importo se sou a vilã do teu
amanhecer que nunca chega.

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