Suspiro no Deserto
Território esquecido pelos
deuses, onde o silêncio grita e o tempo se arrasta como serpente sob o sol
inclemente. Ali, criaturas sombrias deslizam entre sombras e areia, escorpiões
de veneno oculto, aranhas de passos silenciosos, coiotes de olhos famintos.
Cada passo é um desafio, cada sopro de vento, uma lembrança
de que a vida aqui se mede em resistência.
Caminho sobre
brasas invisíveis, o calor não apenas queima a pele, ele consome a alma.
Tenho sede. Não apenas de água, mas de sentido, de paz, de algo que cure essa
mistura de tristeza e alegria, perda e desejo, nostalgia e esperança. É um
sentimento que se enrosca como raízes secas no coração.
A dor não é apenas física, é uma
sinfonia dissonante que ecoa por dentro. Ela avisa, ela grita, ela transforma. Algo
cresce em mim, como trevas que se alimentam de luz. É paixão? É raiva? É amor
em combustão lenta? É loucura?
O calor tórrido do deserto não apenas distorce o horizonte, ele distorce os
pensamentos, embaralha os sentimentos, apaga a fé.
O fogo que arde em mim não é apenas
destruição, é ritual, é renascimento, é divino.
Mas está perdido, como um espírito errante entre o bem e o mal. Em cada
cultura, o fogo é símbolo de energia sagrada. Em mim, ele é caos e criação.
Sobreviver aqui é dançar com
emoções em tempestade. É sentir o coração bater como tambor de guerra e, ao
mesmo tempo, como lamento de saudade.
Procuro um oásis, não apenas um lugar com água, mas um refúgio para a alma.
Um espaço onde a guerra interior se dissolva em paz, onde a alma possa respirar
sem medo.
Onde estás, oásis? Será que ficarei
aqui, prostrada, até o último suspiro, sem te encontrar?

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