Perfume da Ausência
É uma noite longa, e eu sou um
eco quebrado, terrível em estar sozinha, como uma casa abandonada que ainda
chama pelo teu nome.
Onde está minha mente? Ela dança em círculos ao redor de ti, como um fantasma
apaixonado que não sabe partir, presa ao perfume da tua ausência.
Sonhos repetidos me seguem, como
amantes ciumentos que não me deixam respirar, sussurrando teu nome em cada
esquina do meu sono.
Eles quebram os ossos por dentro, com beijos que cortam como lâminas, com
abraços que apertam até o último suspiro.
Tento manter minha cabeça acima da água, mas nunca aprendi a nadar.
Afundo no fundo, cada vez mais fundo, como quem se entrega ao amor que destrói,
como quem se afoga no desejo de ser vista por ti.
Sinto a pressão se aproximar, como
teus olhos me observando no escuro,
como se fosses o próprio abismo que me chama.
Nunca aprendi a me encaixar, sou uma peça torta no quebra-cabeça do teu silêncio, mas insisto em caber,
mesmo que doa.
Tento manter minha cabeça acima
da água, mas quando dizem “afunda-te”,
mergulho, como quem corre para os braços errados, como quem ama demais e se
afoga, feliz por morrer no mar que tem teu nome.
E eu só preciso nadar, nadar até
ti, mesmo que tu sejas o mar que me afunda.

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