Ainda Grito Que Preciso de Ti
Estive só. Sinto
falta do teu corpo, da tua presença que me aquecia como o sol que se deita
sobre a pele nua ao entardecer. Tu, longe, sem sinal, sem retorno.
Queria ouvir-te dizer que te arrependes, que sabes que não está certo o
silêncio, que erraste.
Fecho os olhos, tento esquecer-te,
mas só vejo o teu rosto, como uma chama que dança no escuro, sempre presente.
Depois de tudo o que vivemos, por que partiste assim, de repente? Demasiado
rápido, demasiado fugaz —não permitiste explorar nem partilhar o mais profundo
em mim.
Não é amor, é lava que queima a
pele. Fico a assistir, sem entender, enquanto destróis o que ainda podia ser
vivido, aquilo que não foi explorado.
Não consigo evitar precisar de ti, afogo-me nas águas que antes me sustentavam,
e grito silenciosamente, que preciso de ti.
Ficaste como um
vazio que não consigo preencher, como um quarto onde o calor se foi e só restam
sombras. Pergunto-me o que tinha ontem, o que perdi.
Digo que estou bem, mas minto. Sufoco no sabor que deixaste em mim, como vinho
derramado sobre lençóis brancos.
Tento
afastar-me, mas não consigo, estás preso na minha mente como um eco que se
recusa a morrer. Afogo-me nas águas que antes me erguiam, e grito, ainda grito,
que preciso de ti.
Colinas áridas,
lugares sem alma, carrego o peso da tua ausência como se fosse um inverno sem
fim. Cada respiração que desperdiçámos é um lamento que ecoa no silêncio. Anseio
pelos teus abraços suaves, sob o céu mais escuro, tudo por ti.
Não quero ver a noite desaparecer, nem o teu vermelho desvanecer em azul.
Quero fluir
contigo na água sagrada, explorar os teus cantos mais secretos, perder-me em ti
antes que desapareças no infinito.
Ainda procuro nos mesmos lugares, ainda corro em círculos que não levam a nada e espero, espero que um dia te lembres de mim, como o fogo lembra a madeira que o alimentou.

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