quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Fragmentos de Mim


                                                                   Fragmentos de Mim

Todos temos segredos — uns leves como brisas, outros densos como tempestades que se escondem atrás de olhos calmos. São relíquias da alma, trancadas em cofres invisíveis, capazes de abalar os alicerces da razão. A humanidade guarda-os como se fossem chamas sagradas, que nem a morte ousa soprar. Porque segredo é isso: um eclipse da verdade, uma sombra que se recusa a ser luz. Pode ser uma fórmula alquímica, um esconderijo de memórias, ou o silêncio que protege o que não deve ser dito.

A curiosidade, por sua vez, é um rio que corre em todas as direções — transversal, bilateral, e por vezes, torrencial. Quem dela bebe sem medida, enlouquece com sede insaciável. É um fogo que arde mais em uns do que em outros, uma bússola interna que aponta para o desconhecido. Pode ser nobre como a busca por sabedoria, ou vil como o desejo de invadir o íntimo alheio. É também o fascínio por relíquias raras, por tudo o que brilha com mistério. “A curiosidade matou o gato” — dizem.  E eu, curiosa contida, sou um vulcão que se recusa a explodir, mas que ferve por dentro.

Explorar, desvendar, ler mentes e sentimentos — são dons para alguns, maldições para outros. Há quem veja com olhos de feiticeira, mas não existe bola de cristal que revele o que o coração esconde. A vida é feita de tempestades para dançar, luas para contemplar, e muros para quebrar. Os muros que nos cercam são feitos das pedras que nós próprios erguemos — quase intransponíveis. Mas haverá sempre alguém que tenta quebrá-los ou atravessá-los como um fantasma.

A solidão que habita a mente é povoada por mil demónios sombrios. A luz, por vezes apenas um vislumbre, tenta expulsar o que é maligno. A solidão não é uma escolha consciente, mas uma solução para nos proteger do mundo. No entanto, quando nos consome mesmo rodeados por pessoas, torna-se uma praga — porque nunca nos encaixamos verdadeiramente.

Nem tudo o que brilha reluz. Existem verdadeiros profissionais da máscara: sorriem por fora, mas sangram por dentro.

O futuro é uma incógnita, um labirinto de caminhos guiados por uma bússola invisível. As escolhas podem ser boas ou más. Com os erros, podemos aprender e viver — desde que tenhamos consciência de como os corrigir. Mas a desilusão... essa é uma ferida que nunca cicatriza, pela personalidade que me define e pelos valores que defendo.

Gostava de confiar na humanidade, mas não consigo. Ninguém me provou que o amor existe — seja qual for a sua forma. Somos meros peões, peças de xadrez, inertes. Dizemos que somos donos de nós mesmos, mas tudo o que nos rodeia domina as nossas decisões e molda o presente e o dia de amanhã.

A desilusão estilhaça-me, tal como a solidão não escolhida.


Ainda quero voar. Mas às vezes, não sei até quando as minhas asas aguentam.




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