quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Labirinto de Fogo

 


Labirinto de Fogo 

Cascatas de gelo derretem sob um olhar que já não grita — apenas observa, profundo, quase ausente.

A vida esconde-se atrás da máscara da empatia superficial, marcada por silêncios densos.

O sangue ferve como lava — basta um olhar, um gesto indecifrável, para incendiar tudo.

A mente grava o caos, o corpo dança com memórias da loucura doce e não explorada.
Será recíproco? Talvez. Luz e trevas duelam sem fim, sem vencedores — apenas desgaste.

O frio corta, o calor consome. Só os corajosos resistem. A adrenalina molda almas: funde, quebra, marca. Mistérios humanos, não demónios — introspeção fugaz, aprazível.
Nos trilhos que pisamos, tudo se revela. Nem todos seguem os mesmos guias.
Alguns alimentam-se da nossa essência, vagueiam pelas selvas urbanas como sombras.

Sonho ou pesadelo? Depende da vontade, da procura, da coragem.

O destino desenha labirintos e guarda segredos no presente. Desejo mútuo domina o unilateral — este desfaz-se como areia sob ondas violentas.

Procura-me.

A fúria consome, destrói. Preciso romper este ciclo, superar os muros, explorar o desconhecido. Agarro-me aos fios da teia que a minha mente construiu — implacável, desmedida.

Dúvidas ecoam no silêncio. Porquê eu? Qual o caminho? A espera e o vazio deixam-me trémula. Preciso das trevas para que a minha luz encontre o desejo de viver — não apenas sobreviver.
A intensidade é a chave.

Preciso de ti.
Ignoras-me.
Desprezas-me.
A dor sangra sem parar.

Não há início nem fim.
Sou folha perdida num lago em chamas.
Nada me prende — exceto o poder de resgatar a parte esquecida de mim.
Aquela que sempre soube o caminho.

Preciso de ti.




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