Reflexo
Complexo
Demónios não revezam o caminho da luz — permanecem nas memórias.
Sou forjada em cada batalha, e ao meu lado guardo os olhos que me amam como lâminas silenciosas.
As cicatrizes não apenas marcam os passos que dou — elas encobrem os fracassos que me moldaram.
É assim que as vozes me chamam: não pelo nome, mas pelo eco do que sobrevivi.
Sou o silêncio que sucede o riso, o fim da promessa, o fim sem aviso.
Espelho final que te aprisiona, sou a última mão que te alcança antes do abismo.
Sou reflexo complexo, herdeira da matéria esquecida.
Apago os vossos nomes do chão, sou a casa vazia que o tempo abençoa,
a poeira que repousa nas vossas coroas.
Ergo muros de orgulho e ódio — tesouros falsos escondidos no peito.
No meu reino, a alma respira entre cinzas e fogo, onde tudo arde e se desfaz em fumaça.
Nos trilhos mais obscuros, escolho o meu caminho, e a luz, mesmo distante, será
sempre minha conquista.
Sou forjada para batalhas.
Mas será que um dia… me vencerei?

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