Amor
Incondicional em Terreno de Batalha
"Não é sobre perfeição, é
sobre presença. Entre lágrimas e sorrisos, mães erguem mundos para que seus
filhos possam voar."
É uma dor constante tentar compreender e não errar com um filho que carrega particularidades emocionais neurológicas.
Para isso, somos obrigadas a desaprender muito do que julgávamos certo e a nos
reinventar. Tornar-nos diferentes, melhores, mais evoluídas. Porque essa
condição exige que saia de nós o nosso melhor — e só o nosso melhor pode fazer
a diferença. Mas, mesmo assim, nunca sabemos se estamos realmente a faze o
melhor.
A frustração é
persistente e desanimadora. Não existe mágica para fazer desaparecer as crises,
os choros, a ansiedade. E tudo o que desejamos é ver nossa criança feliz,
crescendo sem adversidades, sem obstáculos maiores do que a vida impõe à
maioria das outras crianças.
O cansaço é
constante. Manter rotinas, ser assertiva depois de um longo dia de trabalho, é
exaustivo. É difícil querer ajudar quem amamos e, ao mesmo tempo, ter de
suprimir nossas reações, ajustar-nos a um mundo que não dominamos por completo.
Olhar nos olhos de uma criança e sentir sofrimento e agitação é avassalador.
Mas nem ela tem culpa, nem eu tenho.
São desafios diários: ensinar a
arte de socializar, controlar a impulsividade. São noites sem dormir,
procurando respostas que não existem, perguntando: o que mais posso fazer?
É um amor incondicional turbulento. Não há culpa — nem da mãe, nem do filho.
Mães não têm culpa. Filhos não têm culpa.
Prefiro chamar
de particularidades, não de doença. Porque, no fundo, são crianças como todas
as outras, apenas com uma característica diferente. E essa diferença não as
impede de serem autônomas, brilhantes, capazes de grandes conquistas.
São sensíveis, carinhosos, inteligentes além do que imaginamos. Veem muito mais
do que nós, mas não sabem dominar o cérebro — isso vem com tempo, paciência e
muito trabalho. Vivem a mil por hora, enfrentam problemas de autoestima,
inquietação, ansiedade, seletividade alimentar, resistência, compulsividade. Só
precisam de segurança e amor.
Confesso: é esgotante repetir
sequências, explicar lógicas, mostrar que não estou zangada, apenas tentando
ensinar com calma a diferença entre certo e errado.
É tão difícil…
A impulsividade, as interpretações fora de contexto, as lutas para convencer
que não quero invadir o espaço, apenas ajudar e estar presente. Sofro, choro,
contenho-me — mas às vezes caio, e as lágrimas vêm.
Fico furiosa ao
ver no ensino professores saturados, sem perfil para lidar com crianças com
essas particularidades. A discriminação, os olhares… Meu filho é uma criança
normal. Só precisa de amor, carinho, estabilidade e pilares — como qualquer
outra criança.
Amor incondicional turbulento.
Vamos lutar. Juntos, vamos vencer. Sei que vou cair muitas vezes, mas também
sei que vou me erguer e estar presente para tudo o que for preciso.
Estou fragmentada, não destruída. Há dias fáceis e outros nem tanto. É isso ser
mãe: amar incondicionalmente e estar ali sempre que precisar.
A todas as mães: sejam fortes. Procurem ajuda para lidar com
os desafios.
Procurem ajuda para vocês mesmas também. Somos humanas. Temos de ser pilares, mas nunca esquecer que, além de mães, somos mulheres. Além de mulheres, somos pessoas.
Todos merecem a oportunidade de ser feliz. E mãe que é mãe está para o que der
e vier.
