quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Amor Incondicional em Terreno de Batalha

 


Amor Incondicional em Terreno de Batalha

"Não é sobre perfeição, é sobre presença. Entre lágrimas e sorrisos, mães erguem mundos para que seus filhos possam voar."

É uma dor constante tentar compreender e não errar com um filho que carrega particularidades emocionais neurológicas.

Para isso, somos obrigadas a desaprender muito do que julgávamos certo e a nos reinventar. Tornar-nos diferentes, melhores, mais evoluídas. Porque essa condição exige que saia de nós o nosso melhor — e só o nosso melhor pode fazer a diferença. Mas, mesmo assim, nunca sabemos se estamos realmente a faze o melhor.

A frustração é persistente e desanimadora. Não existe mágica para fazer desaparecer as crises, os choros, a ansiedade. E tudo o que desejamos é ver nossa criança feliz, crescendo sem adversidades, sem obstáculos maiores do que a vida impõe à maioria das outras crianças.

O cansaço é constante. Manter rotinas, ser assertiva depois de um longo dia de trabalho, é exaustivo. É difícil querer ajudar quem amamos e, ao mesmo tempo, ter de suprimir nossas reações, ajustar-nos a um mundo que não dominamos por completo. Olhar nos olhos de uma criança e sentir sofrimento e agitação é avassalador. Mas nem ela tem culpa, nem eu tenho.

São desafios diários: ensinar a arte de socializar, controlar a impulsividade. São noites sem dormir, procurando respostas que não existem, perguntando: o que mais posso fazer?
É um amor incondicional turbulento. Não há culpa — nem da mãe, nem do filho. Mães não têm culpa. Filhos não têm culpa.

Prefiro chamar de particularidades, não de doença. Porque, no fundo, são crianças como todas as outras, apenas com uma característica diferente. E essa diferença não as impede de serem autônomas, brilhantes, capazes de grandes conquistas.
São sensíveis, carinhosos, inteligentes além do que imaginamos. Veem muito mais do que nós, mas não sabem dominar o cérebro — isso vem com tempo, paciência e muito trabalho. Vivem a mil por hora, enfrentam problemas de autoestima, inquietação, ansiedade, seletividade alimentar, resistência, compulsividade. Só precisam de segurança e amor.

Confesso: é esgotante repetir sequências, explicar lógicas, mostrar que não estou zangada, apenas tentando ensinar com calma a diferença entre certo e errado.

É tão difícil…
A impulsividade, as interpretações fora de contexto, as lutas para convencer que não quero invadir o espaço, apenas ajudar e estar presente. Sofro, choro, contenho-me — mas às vezes caio, e as lágrimas vêm.

Fico furiosa ao ver no ensino professores saturados, sem perfil para lidar com crianças com essas particularidades. A discriminação, os olhares… Meu filho é uma criança normal. Só precisa de amor, carinho, estabilidade e pilares — como qualquer outra criança.

Amor incondicional turbulento. Vamos lutar. Juntos, vamos vencer. Sei que vou cair muitas vezes, mas também sei que vou me erguer e estar presente para tudo o que for preciso.
Estou fragmentada, não destruída. Há dias fáceis e outros nem tanto. É isso ser mãe: amar incondicionalmente e estar ali sempre que precisar.

A todas as mães: sejam fortes. Procurem ajuda para lidar com os desafios.

Procurem ajuda para vocês mesmas também. Somos humanas. Temos de ser pilares, mas nunca esquecer que, além de mães, somos mulheres. Além de mulheres, somos pessoas.

Todos merecem a oportunidade de ser feliz. E mãe que é mãe está para o que der e vier.


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Quando a Chuva Vira Espetáculo e Nós Viramos Figurantes

 


Quando a Chuva Vira Espetáculo e Nós Viramos Figurantes

Se não encontrarmos o lado positivo no meio do caos, não sobrevivemos nesta selva urbana. E, convenhamos, a selva hoje está encharcada.

Relâmpagos? Não são ameaças, são os anjos lá em cima a tirar selfies com flash! Sorriam, são paparazzi celestiais.
E aquele barulho que chamam trovoada? É só o aplauso dramático do céu para mais um génio que decidiu acelerar como se a chuva fosse um spa para carros. Spoiler: não é, o que se molha é o carro, não a inteligência.

Transportes públicos nesta época? Uma experiência aromática única! Entre bolas de naftalina, perfumes “mal lavados” e quem acha que a rua é chuveiro grátis para poupar água em casa. Um verdadeiro festival olfativo — e sem bilhete VIP.

Meninas a queixar-se da roupa molhada? Queridas, todas as flores precisam de água… até as ervas daninhas e plantas invasoras. Nada que uma tesoura de poda ou uma catana não resolva (brincadeirinha… ou não).

E as bruxas? Hoje é dia de glamour! Larguem a vassoura, peguem no chapéu-de-chuva vintage e desfilem. Cabelos elétricos? Chamem-lhe “look excêntrico”. Para as bruxas modernas que trocaram a vassoura pelo aspirador elétrico, aproveitem para recordar os bons velhos tempos.

Conclusão: vivam a vida, saiam à rua, deixem-se molhar. Está divinal. Porque, no fundo, cada tempestade é só uma desculpa para rir da tragédia com estilo.




quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Tempestade: O Abraço do Caos e da Liberdade

 

Tempestade: O Abraço do Caos e da Liberdade

O vento não apenas sopra — ele embala como um berço invisível, sibila como um segredo antigo e abraça-me com a força de quem conhece a minha essência. A chuva desce como notas de uma melodia cansada, mas carregada de emoção, compondo uma sinfonia que só a alma inquieta sabe ouvir. Relâmpagos rasgam o céu como lâminas de luz, iluminando caminhos ocultos, enquanto as trovoadas disparam emoções como tambores que ecoam no peito.

Adoro este tempo melancólico, que para alguns é sombrio, mas para mim é pura poesia em movimento. Dançar na chuva é permitir que a liberdade invada a alma sem pedir licença — chame-me excêntrica, mas não somos todos feitos de singularidades? Cada passo nas poças é uma viagem ao passado, um reencontro com a criança que ainda vive em mim.

Os temporais enchem-me o coração, mesmo quando o medo se insinua. Não é covardia, é respeito pela força indomável da natureza. Serei louca ou apenas alguém que aceita o que é genuíno? A natureza, se olharmos com olhos filosóficos, é um espelho de nós mesmos: imprevisível, intensa, bela e, por vezes, cruel.

O aroma da chuva — terra molhada, madeira, eucalipto — é um vício que me domina, tão inebriante quanto o desejo que nos move. Curioso como o caos das tempestades me traz paz, um equilíbrio entre paixão e serenidade, como se cada trovão afinasse as cordas do meu ser.

Tempestade, abraça-me! Não temo a tua ira, temo apenas desperdiçar a oportunidade de viver este espetáculo feroz e mágico. Tolice é fugir do que nos faz sentir vivos. Assumo: sou diferente, mas é na diferença que gravamos a nossa marca, como ferro em brasa na pele do mundo.

Sou o que sou, sem desculpas. Amo tempestades porque nelas encontro paz para o meu caos interior — e isso, para mim, é liberdade.




The Guardian of Shadows

                                                              The Guardian of Shadows He is made of ink and silence. Each tattoo is a spell ...