Tempestade:
O Abraço do Caos e da Liberdade
O vento não apenas sopra —
ele embala como um berço invisível, sibila como um segredo antigo e abraça-me
com a força de quem conhece a minha essência. A chuva desce como notas de uma
melodia cansada, mas carregada de emoção, compondo uma sinfonia que só a alma
inquieta sabe ouvir. Relâmpagos rasgam o céu como lâminas de luz, iluminando
caminhos ocultos, enquanto as trovoadas disparam emoções como tambores que
ecoam no peito.
Adoro este tempo
melancólico, que para alguns é sombrio, mas para mim é pura poesia em
movimento. Dançar na chuva é permitir que a liberdade invada a alma sem pedir
licença — chame-me excêntrica, mas não somos todos feitos de singularidades?
Cada passo nas poças é uma viagem ao passado, um reencontro com a criança que
ainda vive em mim.
Os temporais enchem-me o
coração, mesmo quando o medo se insinua. Não é covardia, é respeito pela força
indomável da natureza. Serei louca ou apenas alguém que aceita o que é genuíno?
A natureza, se olharmos com olhos filosóficos, é um espelho de nós mesmos:
imprevisível, intensa, bela e, por vezes, cruel.
O aroma da chuva — terra
molhada, madeira, eucalipto — é um vício que me domina, tão inebriante quanto o
desejo que nos move. Curioso como o caos das tempestades me traz paz, um
equilíbrio entre paixão e serenidade, como se cada trovão afinasse as cordas do
meu ser.
Tempestade, abraça-me! Não
temo a tua ira, temo apenas desperdiçar a oportunidade de viver este espetáculo
feroz e mágico. Tolice é fugir do que nos faz sentir vivos. Assumo: sou
diferente, mas é na diferença que gravamos a nossa marca, como ferro em brasa
na pele do mundo.
Sou o que sou, sem desculpas. Amo tempestades porque nelas encontro paz para o meu caos interior — e isso, para mim, é liberdade.

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