quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Tempestade: O Abraço do Caos e da Liberdade

 

Tempestade: O Abraço do Caos e da Liberdade

O vento não apenas sopra — ele embala como um berço invisível, sibila como um segredo antigo e abraça-me com a força de quem conhece a minha essência. A chuva desce como notas de uma melodia cansada, mas carregada de emoção, compondo uma sinfonia que só a alma inquieta sabe ouvir. Relâmpagos rasgam o céu como lâminas de luz, iluminando caminhos ocultos, enquanto as trovoadas disparam emoções como tambores que ecoam no peito.

Adoro este tempo melancólico, que para alguns é sombrio, mas para mim é pura poesia em movimento. Dançar na chuva é permitir que a liberdade invada a alma sem pedir licença — chame-me excêntrica, mas não somos todos feitos de singularidades? Cada passo nas poças é uma viagem ao passado, um reencontro com a criança que ainda vive em mim.

Os temporais enchem-me o coração, mesmo quando o medo se insinua. Não é covardia, é respeito pela força indomável da natureza. Serei louca ou apenas alguém que aceita o que é genuíno? A natureza, se olharmos com olhos filosóficos, é um espelho de nós mesmos: imprevisível, intensa, bela e, por vezes, cruel.

O aroma da chuva — terra molhada, madeira, eucalipto — é um vício que me domina, tão inebriante quanto o desejo que nos move. Curioso como o caos das tempestades me traz paz, um equilíbrio entre paixão e serenidade, como se cada trovão afinasse as cordas do meu ser.

Tempestade, abraça-me! Não temo a tua ira, temo apenas desperdiçar a oportunidade de viver este espetáculo feroz e mágico. Tolice é fugir do que nos faz sentir vivos. Assumo: sou diferente, mas é na diferença que gravamos a nossa marca, como ferro em brasa na pele do mundo.

Sou o que sou, sem desculpas. Amo tempestades porque nelas encontro paz para o meu caos interior — e isso, para mim, é liberdade.




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