quinta-feira, 22 de maio de 2025

Solidão

Solidão

Respiro como quem tenta não se afogar num mar de gente — ondas humanas que passam por mim, mas nenhuma se detém.

Sou ilha no meio da multidão, cercada de vozes que não me tocam, de olhares que me atravessam como lâminas frias, julgando sem conhecer o peso que carrego no peito.

A dor que me habita é um grito preso na garganta, um trovão que nunca chega a romper o céu.

E nesse silêncio que me envolve como um manto pesado, só desejo que alguém — apenas um — perceba que ainda existo, que ainda estou aqui.

Para quê palavras, se o mundo esqueceu de como escutar?

Tudo parece fora de lugar, como um espelho partido que já não reflete o que sou. Tento entender este mundo, mas ele fala uma língua que o meu coração já não reconhece.

Os olhares continuam a julgar, cegos para a verdade que sangra por dentro.


E eu, prisioneira do silêncio, sigo invisível, desejando apenas que alguém veja — veja de verdade — que eu ainda estou aqui.

                                                              

                                                 


 

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