Linguagem
Secreta das Almas
Não consigo ler os teus pensamentos, pois vivo num mundo
entrelaçado de sentimentos, como um jardim secreto onde as emoções crescem
entre raízes e galhos. Fujo de quimeras, essas sombras que dançam na minha
mente, tentando me enganar. Quero decifrar a tua alma, como um explorador que
desvenda mapas antigos, revelando a pura essência que pulsa no teu interior.
Podes negar, mas somos como rios que correm na mesma direção, mesmo que por
caminhos diferentes.
Não te vás embora, fica aqui comigo, pois não quero
mentiras, apenas a verdade cristalina como um lago em calma. Se me abrires a
porta do teu espírito, vais ver um manicômio de emoções, um universo de loucura
e beleza. Passa na minha vida e vê que a louca sou eu própria, uma tempestade
de saudades num vazio irracional, como um céu sem estrelas.
Vem comigo de norte a sul, navegando por mares de sonhos
e tempestades de dúvidas. Sei que não sou fácil, como uma floresta densa que
desafia o caminhante, e não sou um ser frágil à primeira vista, mas uma rocha
que resiste às ondas do tempo.
E se eu soubesse que podia tentar a vida, talvez sorrisse
como quem encontra um raio de sol após uma longa tempestade. Olha para cima,
que eu sinto o teu cheiro como uma brisa que atravessa as nuvens, e imagino a
tinta do teu corpo, mesmo na escuridão, como uma obra de arte que desafia a
luz. Ambos temos razões para moldar o passado como um escultor e pensar no
futuro como um arquiteto.
O mundo pode dar uma volta, e nós podemos dar a volta ao
mundo, viajantes de almas em busca de algo maior. Quero mergulhar fundo no teu
corpo, como um oceano que se perde no horizonte, e nele me afundar,
entrelaçando as mãos como raízes que se unem na terra. É tudo fantasia, um
sonho que dança na névoa, e não sei se sou tudo aquilo que desejas, mas quando
me olhas nos olhos, sou teu reflexo, como uma lua que espelha o céu.
Caminho com coragem, mesmo quando me perco na viagem,
como uma estrela que brilha na noite escura. Perdi-me e renasci, como uma fênix
que se reinventa das cinzas. O vento tudo levou, levando minhas dúvidas e
trazendo novas esperanças.
Continuo descalça, trilhando caminhos dolorosos, sem dona
do destino, uma viajante errante na vastidão da vida. Vivo em mil cores, em mil
formas, em mil intensidades, pois a vida é um arco-íris selvagem — e só tu tens
o o pincel capaz de pintá-lo com o fogo ,com a ousadia dos teus sonhos, com a
beleza crua da sua verdade.
Minha alma vive entre paradoxos, coerente na sua
incoerência, incoerente na sua coerência. Vibra com intensidade, como uma
borboleta que dança entre flores, leve e sublime, ou como uma loba que uiva
para a lua, sedenta por espaço, conquista e liberdade.
Não é teimosia, é uma convicção ardente, como uma chama
que não se apaga. É o anseio que queima, a carência que pulsa como um coração
acelerado.
Algo transcendental: um ritmo
compartilhado, uma sintonia de almas que se reconhecem no meio do caos. Onde
nos perdemos na imensidão, apenas para nos reencontrar no mesmo gesto, no mesmo
olhar, como duas estrelas que se encontram na vastidão do universo.
Pensamos no hoje, e quando o
amanhã chegar, já o dominamos com a certeza de quem conhece o tempo como um
aliado, não como um inimigo.
O tempo não é apenas o que
passa, mas também o que permanece, como uma pegada na areia que o vento não
consegue apagar. Ele domina tudo, molda quem somos, o que sentimos, o que
guardamos na memória como um tesouro escondido.
Sem tempo, não há história,
nem começo, nem fim.
Fala-me de ti.