Labirinto de Fogo
Cascatas de gelo derretem sob um olhar que já não grita — apenas observa, profundo, quase ausente.
A vida esconde-se atrás da máscara da empatia superficial, marcada por silêncios densos.
O sangue ferve como lava — basta um olhar, um gesto indecifrável, para
incendiar tudo.
A
mente grava o caos, o corpo dança com memórias da loucura doce e não explorada.
Será recíproco? Talvez. Luz e trevas duelam sem fim, sem vencedores — apenas
desgaste.
O frio corta, o calor consome. Só os corajosos resistem. A adrenalina molda
almas: funde, quebra, marca. Mistérios humanos, não demónios — introspeção
fugaz, aprazível.
Nos trilhos que pisamos, tudo se revela. Nem todos seguem os mesmos guias.
Alguns alimentam-se da nossa essência, vagueiam pelas selvas urbanas como
sombras.
Sonho ou pesadelo? Depende da vontade, da procura, da coragem.
O destino desenha labirintos e guarda segredos no presente. Desejo mútuo domina o unilateral — este desfaz-se como areia sob ondas violentas.
Procura-me.
A fúria consome, destrói. Preciso romper este ciclo, superar os muros, explorar o desconhecido. Agarro-me aos fios da teia que a minha mente construiu — implacável, desmedida.
Dúvidas ecoam no silêncio. Porquê eu? Qual o caminho? A espera e o vazio
deixam-me trémula. Preciso das trevas para que a minha luz encontre o desejo de
viver — não apenas sobreviver.
A intensidade é a chave.
Preciso de ti.
Ignoras-me.
Desprezas-me.
A dor sangra sem parar.
Não há início nem fim.
Sou folha perdida num lago em chamas.
Nada me prende — exceto o poder de resgatar a parte esquecida de mim.
Aquela que sempre soube o caminho.
Preciso de ti.
