Fusão entre a luz e as sombras
Todos procuramos respostas. Em tudo.
Até mesmo onde o silêncio reina, tentamos plantar palavras — como sementes em
solo árido — na esperança de colher sentido.
Queremos justificar o injustificável, como quem tenta costurar o vento com
linhas de lógica.
Às vezes, as respostas estão
submersas, como pérolas escondidas no fundo de um oceano de dúvidas. Outras
vezes, surgem como estrelas cadentes — inesperadas, fugazes, mas intensas.
Há respostas que nos encontram antes mesmo de sabermos que estávamos a
perguntar.
E há aquelas que, mesmo quando reveladas, nos deixam com mais interrogações do
que certezas.
O que deixou saudades, deixou
lágrimas. Caíram como chuva em tempestade, ritmadas, velozes, desenhando rios
no rosto. Inundaram os meus caminhos, afogaram-me na ausência, como se o
coração fosse uma casa submersa.
Muitas vezes, já sabemos as respostas,
mas não as admitimos. Esperamos que o vento se torne mensageiro, que sopre
verdades como folhas ao acaso. Bolas de cristal não existem. A magia está em
nós, somos feiticeiros de emoções, criadores de ilusões, artesãos de
desilusões.
A coragem de ouvir e a coragem de
responder são como armaduras raras, pertencem aos audazes, aos que caminham sobre brasas sem perder a integridade. Seres em vias de extinção, mas ainda assim faróis na escuridão.
Só se quer a verdade, seja ela qual
for, para preencher os vazios que ecoam como grutas dentro de nós, sem
promessas, sem falsas expectativas. Apenas viver, como quem dança com a
consciência sob o luar.
Alguns fazem perguntas e outros procuram respostas. E há quem seja apenas silêncio, um livro fechado, uma vela apagada.
Adormeço e acordo num ciclo sem fim, como quem vive num
relógio sem ponteiros, onde o tempo se esqueceu de existir. Já não luto. Já não
fujo. Só respiro, como quem flutua num mar calmo, mas profundo.
O hoje é um sopro. O amanhã, um talvez. E o futuro…
talvez seja apenas o nome que damos à esperança, essa chama que insiste em
arder mesmo quando tudo parece cinza.
Haverá sempre uma fusão entre a luz e as sombras, como o abraço entre o dia e a noite, como o encontro entre o que somos e o que ainda não sabemos ser.
