Forjada no Fogo
A minha alma é
terra fértil, se fores semente, fica. Cria raízes em mim, não partas. Sê raiz,
sê abrigo, sê eternidade.
Vamos ser só
nós, como dois rios que se encontram e, num pacto silencioso, recusam
separar-se. Eu sou presença, sou persistência, montanha que não se curva, mesmo
quando o vento grita.
Deixemos o mundo
para trás, como folhas secas levadas pelo outono. Só importa quem nos faz
florescer, quem nos rega com amor e nos vê desabrochar.
Deixa-me aninhar
nos teus braços, onde o inverno não ousa entrar. Tenho saudades da lareira
acesa, não apenas do fogo, mas do calor que só um coração apaixonado sabe dar.
Nem preciso
dizer o quanto preciso de ti, a tua presença é o meu sol nascente, o meu
renascer diário.
Agarra-te a mim
e escuta a história que o tempo esqueceu de contar. Se formos um só, dançaremos
a vida inteira como árvores ao vento — raízes entrelaçadas, copas livres, almas
em sintonia. É simples: um começo sem fim, sem máscaras, só promessas desenhadas
com o coração.
E eu sei que tu
desejas uma noite vivida com intensidade, sem pressa, sem medo, apenas nós, à
espera da aurora, de mãos dadas, como quem espera o milagre do amor.
Carrego o
passado como tatuagem na pele, mas o futuro? Esse, planto com esperança. Não
sou vidente, mas vejo com clareza: quem tentar cortar o que sou, tropeçará nas
pedras que me moldaram.
Vivo com alma antiga,
com honra, com verdade. Não abaixo a cabeça. Sou tempestade e bonança. Sou
chama que não se apaga, sou verbo em movimento.
Guardo ao meu
lado os olhos de quem me ama, as vozes que me chamam quando o mundo se cala. E
quando tudo terminar, direi adeus com um sorriso, porque amei com verdade, vivi
com intensidade.
Lágrimas quentes entre melodias,
dias vividos como se fossem eternos. A minha raiz? Nunca foi presa, sempre foi
livre, como o vento que dança sem pedir licença.
Se a vida ensina
algo, é que a dor não deve roubar-nos a alma, apenas tatuá-la com sombras que
brilham à sua maneira.
A cicatriz? É
mapa de batalhas vencidas no silêncio, não masmorras. É o traço invisível da
coragem de quem sangrou sem se render. Não me queixo das amarguras. são como
vinho envelhecido em barris de perda: amargo ao início, mas denso de verdade.
Portas fechadas, cartas rasgadas, promessas que arderam como pergaminhos
antigos... são apenas capítulos de um livro que ainda escrevo com tinta feita
de lágrimas e paixão.
E se a vida foi dura, agradeço.
Porque cada vitória foi arrancada com as mãos nuas, como quem colhe rosas entre
espinhos. E cada fracasso? Enterrei-o com honra, sem nunca me enterrar com ele.
O amor, esse, é
o fogo que me mantém acesa nas noites mais frias. É lâmina e cura, é veneno e
antídoto. É o sussurro que me chama quando o mundo grita. E mesmo que o tempo
tente apagar-me, sou chama que dança na escuridão, não para ser vista, mas para
aquecer quem ousar ficar.