sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Essence of the Rainbow

 


                                              Essence of the Rainbow 

Between dreaming and waking, a rainbow rises like a bridge of liquid energy, vibrating between worlds that whisper ancient secrets. It is a luminous fissure in the fabric of time, through which an enchanted, profound, and nearly indescribable universe flows.

Those who have never felt the touch of the spark only watch from afar, separated by walls of mist and silence — barriers that attract as much as they repel.

To long for an encounter is like wishing for the first breath after emerging from turbulent waters. The echo of one soul brushing another resembles the sudden flash that cuts across a cloudless sky — and in that moment, everything transforms.

A true bond is not made of matter, but of essence. It is a portal where time hesitates and identities reveal themselves without veils. A single gesture is enough — and the world dissolves into light and shadow.

When we open our hearts, something within roars like an ancient flame. It burns intensely, and we wonder whether truth is a balm or a challenge.

Let us not raise walls — let meetings happen unguarded, should destiny dare to align them.

Souls that draw near dance at the edge of the unknown, searching for a rare harmony reserved for those who dare to dream beyond the predictable.

May the memories we create be like embers: sweet, luminous, enduring. Without guilt, without shadows — just a tender moment kept at the end of the rainbow.

And if destiny chooses to write our story, may it use incandescent ink and words that vibrate with intensity. Without fear. Without restraints. For then the world will once again pulse between our hands.

Souls that meet in the vertigo of discovery and the insatiable flame of curiosity seek a resonance that echoes beyond time. May our memories be gentle as hidden nectar, radiant as the midday sun, and eternal as secrets whispered by the wind — without weight, without regret. Just a melodic moment at the end of the rainbow, where time bends before emotion.

And if destiny dares to trace our tale, let it do so with letters of light and courage. Let it erase doubt. Let there be no hesitation, no retreat — for the world, illuminated, vibrates between our fingers.

Inspiration

 

       

                                    

                                                                Inspiration

When the sun bids farewell to the horizon, my body dissolves into the madness of the night. I feel dizzy, as if I were slipping away from myself. Why did you leave me like this, as if everything could simply be forgotten? My soul explodes into a thousand fragments while loneliness sinks its sharp claws into my being.

Loneliness is an arid desert, where every step echoes through the vastness of emptiness. It is an endless ocean, where I drown in waves of sorrow. It is a dark forest, where dry branches whisper secrets of longing.
Oh inspiration, I am lost without you, for loneliness consumes me. Illuminate my path, bring back my spirit, and let the black ink flow from my pencil.

Allow me to write and rediscover my aura, which wanders through the sky and overwhelms my body and mind.
Let me live the impossible, even if only within the loose pages of my notebook.

Thoughts

 


                                            Thoughts

I hear the breathing of my thoughts like waves that, in their eternal dance, invade the sea and intertwine with the earth in a tender embrace. They despair to remain; they struggle and struggle to return to the land.

I feel a deep emptiness, a plunge into the depths of thoughts that suffocate me like a bottomless abyss.

I see the sorrow of the day, full of life, and the desperation of a desire or dream longing to come true, like a flower fighting to bloom.

I fall asleep and wait, with my heart suspended, to wake again and see everything reborn, in the hope that one day the flower will finally bloom.

Lost Soul

 

                                              Lost Soul

I have my soul lost in unknown thoughts, thoughts that scatter like leaves in the wind. I am surrounded by shapeless and confused feelings, as if the screws in my mind had come loose.
I don’t know how to deal with this situation. I cannot simply erase everything as if it were a blackboard. I refuse to lose my sense of self and forget a life left unlived.

I need to free myself from this prison and let emotion take control and lull my thoughts to sleep. This feeling that overwhelms me is as strong as a storm, devastating and destroying everything in its path, building nothing. Rejection prevents the cultivation of something magical and transcendental, like a flower that cannot bloom.

I suffer because I will never know what could have been, and this cannot be erased, for it is not written in chalk. I am nothing and know nothing about what I can offer, whether I might falter or simply cause pain.

Let me keep all of this as a beautiful emotion and live in contemplation, like a painter admiring their unfinished work. Will I be able to? I feel sad and happy at the same time; I don’t want to lose you, so don’t push me away and don’t stop being with me.

A thousand apologies for placing everything under such conditions. Oh, my lost soul, do not let yourself be defeated, for I am the one lost in these sensations. Something has awakened in me, asleep for many years, like an ancient story a thousand years old.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Onde a Luz Desaparece

 

Onde a Luz Desaparece

Onde a luz se extingue e o silêncio domina, eu não permitirei que as sombras reclamem o que é meu.
Mesmo quando o chão cede sob os meus pés, caminharei adiante, abrindo trilhos no impossível e erguendo sonhos ao custo do que tiver de ser dado.

Das ruínas me levantarei — não como quem regressa, mas como quem renasce.
Erguer-me-ei alta, implacável, feita de aço e chama. A cada pulsar do meu coração, ecoará a minha própria sinfonia.
E subirei, com o espírito incendiado, até que um trono surja das cinzas que deixei para trás.

Atravessei o fogo e, além dele, encontrei um amanhecer tão brilhante que feriu a própria noite.
Quando a escuridão sussurra o seu desafio, é nela que desenho novas armas.
Com a minha mão —varrerei os medos como quem expulsa tempestades.
Cada lágrima que o mundo me tomou, transformá-la-ei em clamor, em vozes que me elevam.

Se tentarem arrancar o que construí, erguerei muralhas feitas de vontade, ferro e propósito.
No caos, reclamarei a minha paz.
E com o amor como escudo, jamais serei silenciada.

Eu construo um trono nas cinzas.
Com o coração em fogo, arderei através das eras.
Sou a chama que não se apaga, e das cinzas que me moldam, incendiarei o mundo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Melodia da Dor: Lágrimas como Voz da Alma

 


Melodia da Dor: Lágrimas como Voz da Alma

As lágrimas são rios que brotam dos olhos, não apenas para lavar poeiras do mundo, mas para purificar tempestades da alma. As que surgem no choro não são simples gotas; são fragmentos líquidos de emoções que transbordam — tristeza, alegria, amor, empatia — como vulcões que não se contêm.

Tristeza e sofrimento, embora vestidas com roupas diferentes, são irmãs siamesas, ambas filhas da dor. O ser humano foi agraciado — por Deus ou pelo mistério que governa o cosmos — com sentimentos, essa moeda rara e insubstituível. Mas por que, entre todas as formas possíveis, a dor escolheu as lágrimas como sua assinatura? Por que não um sopro leve, uma brisa suave, algo menos sombrio, menos cruel?

Choramos, e os olhos tornam-se desertos vermelhos, inchados, como campos devastados por incêndios. Um atentado à estética, mas também um grito silencioso da alma. Cada lágrima é uma lâmina líquida que grava cicatrizes invisíveis, tão profundas quanto abismos, tão eternas quanto mares. E o mar, esse gigante azul, não seria mar sem suas gotas — quantas são? Incontáveis, como as dores humanas, como as perguntas que nunca cessam.

A dor é uma tempestade íntima, uma experiência sensorial e emocional que arrasta mágoas e angústias como ventos que arrancam raízes. É subjetiva, moldada pelas experiências, mas sempre carregada de sombras. Palavras do dicionário parecem lâminas: pesar, angústia, sofrimento — todas com sabor amargo, como a melodia triste que o vento compõe ao bater na janela sob chuva e escuridão.

No fim, o que o ser humano verdadeiramente deseja? Fugir da dor? Abraçar o amor? Ou simplesmente encontrar um porto seguro onde as lágrimas não sejam tempestades, mas apenas orvalho sobre a pele?

 

 


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Entre a Lápide e o Abismo

 


Entre a Lápide e o Abismo

O desespero é um abismo que engole a luz; um estado onde a alma, exausta, tateia paredes invisíveis em busca de uma saída que nunca se revela. É a queda lenta numa espiral de aflição, onde a esperança se desfaz como cinza ao vento, e cada tentativa de força esbarra na impotência que rói por dentro. Quando se torna crónico, o desespero deixa raízes fundas, serpentes que se entrelaçam na vida e dificultam qualquer regresso à superfície.

A morte — esse silêncio absoluto — é a interrupção inevitável do mecanismo da vida, o momento em que o corpo, enfim, desiste. As células fenecem, os órgãos calam-se, e o que resta é uma travessia desconhecida.


Assim está a minha alma: num limiar escuro entre o que fui e o que já não consigo ser. Uma passagem suspensa, como se o espírito tivesse parado no instante antes do último sopro, incapaz de avançar para qualquer renascimento. Sinto que, nesta fase, não evoluo… apenas permaneço, presa num vazio que ecoa.

Mil pensamentos fervilham, como vapor que queima por dentro. Nada tem forma; tudo é denso, confuso, sufocante. Falta-me o ar.

Procuro luz nas sombras — migalhas de claridade para me erguer — mas estou tão gasta que mal me sustento. Arrasto-me sobre lágrimas que ardem como sangue, e cada passo é uma ferida aberta. Há uma dor dilacerante que domina o corpo e o coração, enquanto as incertezas enevoam o raciocínio como neblina cerrada.

Imploro misericórdia, anseio por salvação. No fundo, quero levantar-me… mas não sei como. As forças escorrem-me por entre os dedos, e caminho descalça sobre vidros estilhaçados, sentindo cada corte como uma verdade inconveniente.

A vida é um labirinto intricado, um emaranhado de elementos que se entrelaçam de forma cruel e bela, impossível de decifrar. A solidão envolve-me com a mesma brutalidade com que as ondas rebentam contra as rochas — repetida, fria, inevitável.

Fecho os olhos. Tento ter fé. Mas das pálpebras só caem lágrimas silenciosas.

O futuro… nada sei sobre ele. Apenas ouço o corvo, sentinela de maus presságios, anunciar ventos sombrios e tempestades iminentes. E quando olho para o presente, vejo apenas o caos — um mar revolto que ameaça engolir tudo o que resta de mim.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Caminhos Sem Retorno e Oceanos Sem Fundo

 




Caminhos Sem Retorno e Oceanos Sem Fundo

Há momentos na vida que não admitem retorno — tal como a terra que engole o corpo na morte, fria e definitiva como o mar profundo que não devolve o que leva. É uma comparação dura, quase assustadora, mas verdadeira como a própria natureza.

Os caminhos que escolhemos são sementes lançadas ao solo: algumas florescem em abundância, outras apodrecem antes de nascer. Há trilhos que, uma vez pisados, se fecham atrás de nós como portas de ferro — entradas sem saída, caminhos sem réstia de volta.

E quando a paisagem à nossa frente é árida, tóxica, devastadora… não nos resta senão continuar a marcha. Levantamos a cabeça mesmo quando pesa como um penedo ancestral; caminhamos arrastando os pés até que sangrem como quem trilha areia quente e conchas quebradas. O coração lateja cansado, mas resiste. A consciência, essa, não adormece: observa, sofre, interroga-se — porquê aquele caminho, porquê aquele desvio, porquê aquele naufrágio?

Depois chegam os estágios inevitáveis, como doenças que corroem devagar:
fase 1 — desespero,
fase 2 — aceitação,
fase 3 — busca por solução.

Assim se resume a vida de milhares de almas à deriva no mar imenso das circunstâncias, seja no amor, no dinheiro ou em qualquer outro jugo emocional. Cada experiência marca-nos como ferro incandescente no lombo da existência — para o bem ou para o mal. E o mal, esse, arde mais e mais fundo.

É um pesadelo lúcido: é como se nos lançássemos à linha do metro e, num piscar de olhos, acordássemos afundados no fundo do mar, com os pés presos a uma bola de chumbo que nos arrasta para o abismo. E mesmo assim, teimosos como náufragos que não aceitam o destino, bracejamos. Procuramos a superfície. Lutamos pelo sopro de ar que prova que ainda estamos vivos. Porque acreditar num milagre, por mais improvável, é a última âncora antes do afogamento.

O pesadelo parece tão real que arrepia a pele e aperta o peito até faltar o ar. Escrever é terapêutico — sim — mas por vezes pergunto-me se esta catarse é verdade ou se a minha mente me engana, criando lanternas ilusórias para afastar as sombras que me rondam.

No fundo, só sei que nada sei, e flutuo num vazio infinito, como submarina perdida num oceano escuro, à procura de um farol que revele o mistério que habita dentro de mim.

Dizem os mais velhos que chorar liberta a alma. Mas quando as lágrimas se tornam dilúvios, inundam tudo: o corpo desgasta-se, surge a frustração, a melancolia, a raiva, o ódio — uma avalanche de emoções negras que empurra para um sono tão profundo que quase roça a morte.

Mesmo envoltos em escuridão, procuramos sombra — porque só existe sombra quando há luz. E a vida às vezes parece uma floresta bravia, cheia de animais ferozes e plantas envenenadas, onde as lianas prendem e os trilhos se torcem. Ainda assim, avançamos. Um passo de cada vez. Porque há sempre um lugar seguro algures — nem que seja depois de atravessar o caos.

No fim, é a fé e a esperança que mantêm o corpo de pé e a alma à tona. É isso que nos sustém. É isso que nos mantém vivos.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Amor Incondicional em Terreno de Batalha

 


Amor Incondicional em Terreno de Batalha

"Não é sobre perfeição, é sobre presença. Entre lágrimas e sorrisos, mães erguem mundos para que seus filhos possam voar."

É uma dor constante tentar compreender e não errar com um filho que carrega particularidades emocionais neurológicas.

Para isso, somos obrigadas a desaprender muito do que julgávamos certo e a nos reinventar. Tornar-nos diferentes, melhores, mais evoluídas. Porque essa condição exige que saia de nós o nosso melhor — e só o nosso melhor pode fazer a diferença. Mas, mesmo assim, nunca sabemos se estamos realmente a faze o melhor.

A frustração é persistente e desanimadora. Não existe mágica para fazer desaparecer as crises, os choros, a ansiedade. E tudo o que desejamos é ver nossa criança feliz, crescendo sem adversidades, sem obstáculos maiores do que a vida impõe à maioria das outras crianças.

O cansaço é constante. Manter rotinas, ser assertiva depois de um longo dia de trabalho, é exaustivo. É difícil querer ajudar quem amamos e, ao mesmo tempo, ter de suprimir nossas reações, ajustar-nos a um mundo que não dominamos por completo. Olhar nos olhos de uma criança e sentir sofrimento e agitação é avassalador. Mas nem ela tem culpa, nem eu tenho.

São desafios diários: ensinar a arte de socializar, controlar a impulsividade. São noites sem dormir, procurando respostas que não existem, perguntando: o que mais posso fazer?
É um amor incondicional turbulento. Não há culpa — nem da mãe, nem do filho. Mães não têm culpa. Filhos não têm culpa.

Prefiro chamar de particularidades, não de doença. Porque, no fundo, são crianças como todas as outras, apenas com uma característica diferente. E essa diferença não as impede de serem autônomas, brilhantes, capazes de grandes conquistas.
São sensíveis, carinhosos, inteligentes além do que imaginamos. Veem muito mais do que nós, mas não sabem dominar o cérebro — isso vem com tempo, paciência e muito trabalho. Vivem a mil por hora, enfrentam problemas de autoestima, inquietação, ansiedade, seletividade alimentar, resistência, compulsividade. Só precisam de segurança e amor.

Confesso: é esgotante repetir sequências, explicar lógicas, mostrar que não estou zangada, apenas tentando ensinar com calma a diferença entre certo e errado.

É tão difícil…
A impulsividade, as interpretações fora de contexto, as lutas para convencer que não quero invadir o espaço, apenas ajudar e estar presente. Sofro, choro, contenho-me — mas às vezes caio, e as lágrimas vêm.

Fico furiosa ao ver no ensino professores saturados, sem perfil para lidar com crianças com essas particularidades. A discriminação, os olhares… Meu filho é uma criança normal. Só precisa de amor, carinho, estabilidade e pilares — como qualquer outra criança.

Amor incondicional turbulento. Vamos lutar. Juntos, vamos vencer. Sei que vou cair muitas vezes, mas também sei que vou me erguer e estar presente para tudo o que for preciso.
Estou fragmentada, não destruída. Há dias fáceis e outros nem tanto. É isso ser mãe: amar incondicionalmente e estar ali sempre que precisar.

A todas as mães: sejam fortes. Procurem ajuda para lidar com os desafios.

Procurem ajuda para vocês mesmas também. Somos humanas. Temos de ser pilares, mas nunca esquecer que, além de mães, somos mulheres. Além de mulheres, somos pessoas.

Todos merecem a oportunidade de ser feliz. E mãe que é mãe está para o que der e vier.


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Quando a Chuva Vira Espetáculo e Nós Viramos Figurantes

 


Quando a Chuva Vira Espetáculo e Nós Viramos Figurantes

Se não encontrarmos o lado positivo no meio do caos, não sobrevivemos nesta selva urbana. E, convenhamos, a selva hoje está encharcada.

Relâmpagos? Não são ameaças, são os anjos lá em cima a tirar selfies com flash! Sorriam, são paparazzi celestiais.
E aquele barulho que chamam trovoada? É só o aplauso dramático do céu para mais um génio que decidiu acelerar como se a chuva fosse um spa para carros. Spoiler: não é, o que se molha é o carro, não a inteligência.

Transportes públicos nesta época? Uma experiência aromática única! Entre bolas de naftalina, perfumes “mal lavados” e quem acha que a rua é chuveiro grátis para poupar água em casa. Um verdadeiro festival olfativo — e sem bilhete VIP.

Meninas a queixar-se da roupa molhada? Queridas, todas as flores precisam de água… até as ervas daninhas e plantas invasoras. Nada que uma tesoura de poda ou uma catana não resolva (brincadeirinha… ou não).

E as bruxas? Hoje é dia de glamour! Larguem a vassoura, peguem no chapéu-de-chuva vintage e desfilem. Cabelos elétricos? Chamem-lhe “look excêntrico”. Para as bruxas modernas que trocaram a vassoura pelo aspirador elétrico, aproveitem para recordar os bons velhos tempos.

Conclusão: vivam a vida, saiam à rua, deixem-se molhar. Está divinal. Porque, no fundo, cada tempestade é só uma desculpa para rir da tragédia com estilo.




quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Tempestade: O Abraço do Caos e da Liberdade

 

Tempestade: O Abraço do Caos e da Liberdade

O vento não apenas sopra — ele embala como um berço invisível, sibila como um segredo antigo e abraça-me com a força de quem conhece a minha essência. A chuva desce como notas de uma melodia cansada, mas carregada de emoção, compondo uma sinfonia que só a alma inquieta sabe ouvir. Relâmpagos rasgam o céu como lâminas de luz, iluminando caminhos ocultos, enquanto as trovoadas disparam emoções como tambores que ecoam no peito.

Adoro este tempo melancólico, que para alguns é sombrio, mas para mim é pura poesia em movimento. Dançar na chuva é permitir que a liberdade invada a alma sem pedir licença — chame-me excêntrica, mas não somos todos feitos de singularidades? Cada passo nas poças é uma viagem ao passado, um reencontro com a criança que ainda vive em mim.

Os temporais enchem-me o coração, mesmo quando o medo se insinua. Não é covardia, é respeito pela força indomável da natureza. Serei louca ou apenas alguém que aceita o que é genuíno? A natureza, se olharmos com olhos filosóficos, é um espelho de nós mesmos: imprevisível, intensa, bela e, por vezes, cruel.

O aroma da chuva — terra molhada, madeira, eucalipto — é um vício que me domina, tão inebriante quanto o desejo que nos move. Curioso como o caos das tempestades me traz paz, um equilíbrio entre paixão e serenidade, como se cada trovão afinasse as cordas do meu ser.

Tempestade, abraça-me! Não temo a tua ira, temo apenas desperdiçar a oportunidade de viver este espetáculo feroz e mágico. Tolice é fugir do que nos faz sentir vivos. Assumo: sou diferente, mas é na diferença que gravamos a nossa marca, como ferro em brasa na pele do mundo.

Sou o que sou, sem desculpas. Amo tempestades porque nelas encontro paz para o meu caos interior — e isso, para mim, é liberdade.




sexta-feira, 31 de outubro de 2025

A Beleza da Diferença

 

A Beleza da Diferença

Saindo um pouco da minha escrita criativa habitual — aquela que abre portais para a perceção individual, onde cada um lê e interpreta à sua maneira — hoje escrevo de forma mais direta. Ainda assim, sem perder a humildade ao usar o termo “obra literária”, reconheço que todo texto, seja ele alvo de críticas construtivas, destrutivas ou relativizadas, é uma expressão legítima do ser.

O que me move a escrever hoje nasceu de uma conversa breve, quase banal, mas que revelou uma verdade profunda: as pessoas ainda não estão preparadas para lidar com a diferença. E aceitar o que é diferente continua a ser um desafio. O ser humano, muitas vezes, reage com ataque, julgamento, rótulos. E esses rótulos, por mais banais que pareçam, colam-se à pele e marcam.

Vemos isso todos os dias: nas escolas, entre alunos e professores; nas famílias, entre pais e filhos; nos grupos de amigos, onde a empatia parece ter dado lugar à superficialidade. As amizades de hoje, em muitos casos, perderam a profundidade de outrora — aquele espírito de “um por todos e todos por um”, onde a diferença era aceite e até celebrada.

Hoje, socializa-se sem conexão. Basta adaptar-se ao momento, tirar partido do que é conveniente, e seguir. Mas será isso viver? Será isso partilhar?

Vivemos numa era em que o essencial é frequentemente ignorado. Uma flor, um jardim, uma música que embala a alma, a paz de um instante — tudo isso passa, despercebido. A humanidade tem sede do negativo, como se fosse atraída por tempestades, deixando-se levar pelas correntes do caos.

No entanto, há sempre uma lição em cada história. Cabe-nos procurar o que há de positivo, o que nos ensina, o que nos faz evoluir. Muitas vezes, vivemos sob uma sombra escura, ignorando os pequenos brilhos à nossa volta. O foco está no que falta, no que dói, no que falha — raramente no que floresce.

A morte é inevitável. Por isso, abençoem-se por cada novo amanhecer. Não temos um oráculo que nos diga como terminará o dia, mas temos o poder de escolher os nossos caminhos. E, com essas escolhas, vêm as consequências. Por vezes, é preciso relativizar, ponderar, contextualizar, suavizar… e, sobretudo, reconsiderar.

Será que algum dia o ser humano conseguirá viver a sua própria vida sem se perder na dos outros? Aceitar a diferença? Ver o lado bom mesmo quando tudo parece envolto em nuvens negras?

“Está a chover, que chatice”, dizem uns. “Está a chover, que dia lindo e sereno”, dizem outros. A chuva é a mesma. Os desafios que ela traz também. Mas a forma como os vemos muda tudo. E, sejamos sinceros, o planeta precisa da chuva — assim como nós precisamos de empatia e tolerância.

Mas não estamos a falar apenas de chuva. Estamos a falar de aceitação, de tolerância, de valorização do que é bom. De olhar à nossa volta com olhos de ver, com o coração aberto, e perceber que há tanto de belo que ignoramos.

Por vezes, parece que só um diagnóstico terminal desperta as pessoas para a vida. Só então valorizam o que sempre esteve ali: o toque, o riso, o silêncio, o agora.

Devemos correr sempre para a luz, nunca para as sombras.

Tolerância. Aceitação. Valorização.

Palavras-chave para uma vida mais leve, mais consciente, mais humana.

E não, este não é um convite para permanecer em ambientes tóxicos. É apenas um lembrete: há sempre um caminho para se sentir melhor, mesmo no meio do caos.
Às vezes, é preciso sorrir… mesmo quando tudo em nós quer chorar.





quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Reflexo Complexo


Reflexo Complexo

Demónios não revezam o caminho da luz — permanecem nas memórias.

Sou forjada em cada batalha, e ao meu lado guardo os olhos que me amam como lâminas silenciosas.

As cicatrizes não apenas marcam os passos que dou — elas encobrem os fracassos que me moldaram.

É assim que as vozes me chamam: não pelo nome, mas pelo eco do que sobrevivi. 

Sou o silêncio que sucede o riso, o fim da promessa, o fim sem aviso.

Espelho final que te aprisiona, sou a última mão que te alcança antes do abismo.

Sou reflexo complexo, herdeira da matéria esquecida.

Apago os vossos nomes do chão, sou a casa vazia que o tempo abençoa,
a poeira que repousa nas vossas coroas.

Ergo muros de orgulho e ódio — tesouros falsos escondidos no peito.

No meu reino, a alma respira entre cinzas e fogo, onde tudo arde e se desfaz em fumaça.

Nos trilhos mais obscuros, escolho o meu caminho, e a luz, mesmo distante, será sempre minha conquista.

 Não me ponho de joelhos.

Sou forjada para batalhas.

Mas será que um dia… me vencerei?





 

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

A Voz que o Tempo Engoliu

 


A Voz que o Tempo Engoliu

O luto, palavra que deriva do latim luctu, é mais do que um processo — é uma travessia sombria por um deserto emocional onde cada grão de areia é uma lembrança, cada sopro de vento uma ausência. É uma dança silenciosa entre o que foi e o que jamais voltará a ser. A perda significativa, como a morte de alguém que habitava nosso coração, desencadeia uma avalanche de reações emocionais, cognitivas e comportamentais que nos arrastam para um vale onde o tempo parece suspenso.

A dor do luto não tem fórmula, não obedece a cronogramas. Ela se molda ao íntimo de cada ser, como uma sombra que se alonga conforme o sol da esperança se esconde. Permitir-se sentir é como abrir as janelas de uma casa inundada — necessário para que a água da dor encontre saída e não apodreça o que ainda vive em nós.

No início, o luto se manifesta como um eco constante da perda, entrelaçado ao choro e à tristeza. Mas com o tempo, esse eco se transforma: ora suave, ora ensurdecedor, intercalando memórias doces e amargas, como se a mente tentasse costurar um tecido rasgado com linhas de lembrança.

Além da tristeza, há o choque — um silêncio ensurdecedor. Há raiva, solidão, ansiedade, um aperto no peito que não se explica, apenas se sente. E nesse mar revolto, eu me vejo à deriva, desenquadrada do ser comum, com poucos elos que realmente me conectam.

Sofro em silêncio, como quem caminha por um bosque escuro sem desejar acender a lanterna. Entro no meu habitual estado de não verbalização, onde o “está tudo bem” é apenas um disfarce para as lágrimas que escorrem com uma paz fingida. Mas algo em mim se incendiou — não pela perda em si, mas pela omissão cruel da notícia. Há quem se diga humano, mas na hora de comunicar o que fere, escolhe o silêncio. Talvez por cobiça da minha conexão, talvez por descaso.

É triste demais perder alguém com quem se partilhava tudo, sem filtros, sem julgamentos. Alguém que sabia rir das nossas dores e transformar o peso da vida em leveza com uma piada. Mesmo a milhares de quilómetros, ela estava sempre ao meu lado, como uma presença invisível, mas constante. Mas eu não era o epicentro. A nossa ligação era profunda, mas não central. E do outro lado, havia uma batalha titânica contra um monstro silencioso — o cancro — que por 14 anos tentou roubar sua luz. E conseguiu.

A ausência era comum, o silêncio esperado. Trocávamos emojis, piadas, fotos tolas. Eu respeitava o seu espaço, sabia das suas batalhas. Ela sofria, só Deus sabe quanto, mas nunca deixou de ser gigante. Mulher, mãe, prima. E mesmo nos momentos mais difíceis, havia retorno. Até que não houve mais.

Meses de silêncio absoluto. As mensagens lidas, mas sem resposta. E eu, sem saber, continuava a enviar carinho, força, esperança. Descobri numa conversa trivial que ela já jazia desde Junho. Não pude fazer o meu luto. Não pude dizer adeus. Não pude oferecer palavras amigas quando mais precisava. E isso me dilacera.

A dor da perda é imensa, mas a mágoa da omissão é um veneno lento. Perdi mais uma pessoa que significava muito. E são poucas as que realmente me tocam. O resto são conhecidos — sem ofensa — mas a profundidade da conexão é rara, quase sagrada.

Estou em sofrimento. Um sofrimento que não sei nomear, pois é feito de muitas camadas: dor, raiva, saudade, incredulidade. Lembrá-la será inevitável. Ela foi um anjo na minha vida. E espero que agora esteja num céu confortável, com sua missão cumprida, rodeada de amor.

Perdoar a omissão? Talvez um dia. Colocar uma pedra, talvez. Mas esquecer, jamais.

Cada vez mais me sinto só, nas sombras, na invisibilidade. Como uma estrela apagada num céu que já não olha para mim.




The Guardian of Shadows

                                                              The Guardian of Shadows He is made of ink and silence. Each tattoo is a spell ...