segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Suspiro no Deserto


Suspiro no Deserto

Território esquecido pelos deuses, onde o silêncio grita e o tempo se arrasta como serpente sob o sol inclemente. Ali, criaturas sombrias deslizam entre sombras e areia, escorpiões de veneno oculto, aranhas de passos silenciosos, coiotes de olhos famintos.

Cada passo é um desafio, cada sopro de vento, uma lembrança de que a vida aqui se mede em resistência.

Caminho sobre brasas invisíveis, o calor não apenas queima a pele, ele consome a alma.
Tenho sede. Não apenas de água, mas de sentido, de paz, de algo que cure essa mistura de tristeza e alegria, perda e desejo, nostalgia e esperança. É um sentimento que se enrosca como raízes secas no coração.

A dor não é apenas física, é uma sinfonia dissonante que ecoa por dentro. Ela avisa, ela grita, ela transforma. Algo cresce em mim, como trevas que se alimentam de luz. É paixão? É raiva? É amor em combustão lenta? É loucura?
O calor tórrido do deserto não apenas distorce o horizonte, ele distorce os pensamentos, embaralha os sentimentos, apaga a fé.

O fogo que arde em mim não é apenas destruição, é ritual, é renascimento, é divino.
Mas está perdido, como um espírito errante entre o bem e o mal. Em cada cultura, o fogo é símbolo de energia sagrada. Em mim, ele é caos e criação.

Sobreviver aqui é dançar com emoções em tempestade. É sentir o coração bater como tambor de guerra e, ao mesmo tempo, como lamento de saudade.
Procuro um oásis, não apenas um lugar com água, mas um refúgio para a alma.
Um espaço onde a guerra interior se dissolva em paz, onde a alma possa respirar sem medo.

Onde estás, oásis? Será que ficarei aqui, prostrada, até o último suspiro, sem te encontrar?

                 



quinta-feira, 7 de agosto de 2025

A Vilã do Teu Amanhecer


A Vilã do Teu Amanhecer

Deixa cair uma palavra como quem abandona pétalas ao vento, e eu me torno a vilã sob o silêncio da sua lua. Vejo a loucura a nascer como relâmpago em céu de inverno, e sou a sombra que você insiste em temer.

És uma sombra como o lago que nunca reflete o sol, como uma árvore que rejeita o outono, mas ainda assim perde as suas folhas.

Se pudesse rir como o eco perdido nas montanhas, eu te prenderia. Se eu pudesse sorrir como o último raio antes da noite, seríamos dois corações errantes sob o mesmo luar. Mas preferes o frio à ternura.

Se eu pudesse rir como o riacho que dança entre pedras, eu deslizaria. Se eu pudesse sorrir como o sol que rompe a neblina, seríamos dois astros brincando no mesmo espaço. Mas preferes o eclipse à luz. 

Se eu pudesse amar como a chuva ama a terra, eu ficaria com a entrega das estações, como qualquer estrela ama seu céu distante, qualquer estrela, qualquer céu.

Eu sei o que sou — sou a noite que te observa em silêncio, e não me importo se sou a vilã do teu amanhecer que nunca chega.





 

 

 

 

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Ainda Grito Que Preciso de Ti

 


Ainda Grito Que Preciso de Ti

Estive só. Sinto falta do teu corpo, da tua presença que me aquecia como o sol que se deita sobre a pele nua ao entardecer. Tu, longe, sem sinal, sem retorno.
Queria ouvir-te dizer que te arrependes, que sabes que não está certo o silêncio, que erraste.

Fecho os olhos, tento esquecer-te, mas só vejo o teu rosto, como uma chama que dança no escuro, sempre presente.
Depois de tudo o que vivemos, por que partiste assim, de repente? Demasiado rápido, demasiado fugaz —não permitiste explorar nem partilhar o mais profundo em mim.

Não é amor, é lava que queima a pele. Fico a assistir, sem entender, enquanto destróis o que ainda podia ser vivido, aquilo que não foi explorado.
Não consigo evitar precisar de ti, afogo-me nas águas que antes me sustentavam,
e grito silenciosamente, que preciso de ti.

Ficaste como um vazio que não consigo preencher, como um quarto onde o calor se foi e só restam sombras. Pergunto-me o que tinha ontem, o que perdi.
Digo que estou bem, mas minto. Sufoco no sabor que deixaste em mim, como vinho derramado sobre lençóis brancos.

Tento afastar-me, mas não consigo, estás preso na minha mente como um eco que se recusa a morrer. Afogo-me nas águas que antes me erguiam, e grito, ainda grito, que preciso de ti.

Colinas áridas, lugares sem alma, carrego o peso da tua ausência como se fosse um inverno sem fim. Cada respiração que desperdiçámos é um lamento que ecoa no silêncio. Anseio pelos teus abraços suaves, sob o céu mais escuro, tudo por ti.
Não quero ver a noite desaparecer, nem o teu vermelho desvanecer em azul.

Quero fluir contigo na água sagrada, explorar os teus cantos mais secretos, perder-me em ti antes que desapareças no infinito.

Ainda procuro nos mesmos lugares, ainda corro em círculos que não levam a nada e espero, espero que um dia te lembres de mim, como o fogo lembra a madeira que o alimentou.




sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Silêncios que o Mar Leva


Silêncios que o Mar Leva

Ninguém sente verdadeiramente a dor do outro até que o silêncio se transforma em ausência. Como folhas levadas pelo vento, só notam a falta quando já não há sombra nem abrigo.

Há os que, em vez de estenderem a mão, se aproveitam das fragilidades alheias. Chamam-se audazes, que ironia amarga — quando, na verdade, são apenas cobardes disfarçados de coragem.

Vivemos numa pressa constante, como rios que correm sem nunca parar para ouvir o murmúrio das margens. E há quem, em vez de escutar, prefira julgar. Em vez de oferecer um ombro, um abraço, um gesto de ternura, apontam dedos.

Duvidam do nosso cansaço até que o corpo se rende. Duvidam da tristeza até que ela se instala como nevoeiro denso, e os ventos mudos trazem lágrimas feitas de sal e sangue, que rasgam a pele em silêncio. São cicatrizes invisíveis, mas profundas como raízes de árvores antigas.

Quando mudamos, dizem: “Ela está diferente.” Mas nunca viram o que sempre esteve ali. Os seus egos cegaram-nos para o brilho que se apagava aos poucos, aquele brilho que iluminava vidas e aquecia almas.

A dor, muitas vezes, é uma semente enterrada. Precisa de atenção, de luz, de espaço para ser compreendida. Ignorá-la é como tapar os olhos ao nascer do sol. E assim, vamos desaparecendo, como castelos de areia levados pelas ondas.

Sozinhos, transformamos pedras em degraus. Somos forçados a viver o presente com os pés na terra e o coração em contenção. Mas não podemos deixar que o fatalismo nos paralise. É preciso coragem para continuar a colocar o coração em tudo, mesmo quando ele está em pedaços. Acreditar que a vida, como a natureza, devolve tudo, no tempo certo.

Eu só quero coisas boas. Quero que esta solidão ensurdecedora me abandone. Quero colo, carinho, um ombro onde possa chorar em silêncio e libertar as sombras que me habitam. Quero ser leve como o vento que atravessa montanhas, livre como o voo de uma ave ao entardecer.

Quero viver os encantos e desencantos como um ser humano inteiro — não como uma alma penada, presa a obrigações e deveres. Quero florescer, mesmo depois do inverno.



quarta-feira, 30 de julho de 2025

Fusão entre a luz e as sombras

 


Fusão entre a luz e as sombras

Todos procuramos respostas. Em tudo. Até mesmo onde o silêncio reina, tentamos plantar palavras — como sementes em solo árido — na esperança de colher sentido.
Queremos justificar o injustificável, como quem tenta costurar o vento com linhas de lógica.

Às vezes, as respostas estão submersas, como pérolas escondidas no fundo de um oceano de dúvidas. Outras vezes, surgem como estrelas cadentes — inesperadas, fugazes, mas intensas.
Há respostas que nos encontram antes mesmo de sabermos que estávamos a perguntar.
E há aquelas que, mesmo quando reveladas, nos deixam com mais interrogações do que certezas.

O que deixou saudades, deixou lágrimas. Caíram como chuva em tempestade, ritmadas, velozes, desenhando rios no rosto. Inundaram os meus caminhos, afogaram-me na ausência, como se o coração fosse uma casa submersa.

Muitas vezes, já sabemos as respostas, mas não as admitimos. Esperamos que o vento se torne mensageiro, que sopre verdades como folhas ao acaso. Bolas de cristal não existem. A magia está em nós, somos feiticeiros de emoções, criadores de ilusões, artesãos de desilusões.

A coragem de ouvir e a coragem de responder são como armaduras raras, pertencem aos audazes, aos que caminham sobre brasas sem perder a integridade. Seres em vias de extinção, mas ainda assim faróis na escuridão.

Só se quer a verdade, seja ela qual for, para preencher os vazios que ecoam como grutas dentro de nós, sem promessas, sem falsas expectativas. Apenas viver, como quem dança com a consciência sob o luar.

Alguns fazem perguntas e outros procuram respostas. E há quem seja apenas silêncio, um livro fechado, uma vela apagada.

Adormeço e acordo num ciclo sem fim, como quem vive num relógio sem ponteiros, onde o tempo se esqueceu de existir. Já não luto. Já não fujo. Só respiro, como quem flutua num mar calmo, mas profundo.

O hoje é um sopro. O amanhã, um talvez. E o futuro… talvez seja apenas o nome que damos à esperança, essa chama que insiste em arder mesmo quando tudo parece cinza.

Haverá sempre uma fusão entre a luz e as sombras, como o abraço entre o dia e a noite, como o encontro entre o que somos e o que ainda não sabemos ser.




terça-feira, 29 de julho de 2025

No Limiar do Limbo


No Limiar do Limbo

Há quedas que não fazem barulho, apenas ecoam dentro. O tempo, esse escultor invisível, vai-nos talhando com as suas lâminas de vento e silêncio. Os tombos não são castigos, são moldes. E os ventos, por mais que nos arranquem o chão, às vezes levam embora o que já não nos servia.

A vida não se entende, dança-se. E poucos têm coragem de dançar com os pés feridos.

No fundo, somos ilhas. Podemos ter pontes — amores, amigos, abraços —mas há tempestades que só nós enfrentamos, há noites em que nem a lua nos acompanha.
E está tudo bem. A solidão não é um castigo,  é uma verdade antiga, como o mar que nunca deixa de voltar à praia.

À beira do abismo, onde o chão é um rumor e a luz uma lembrança, sinto a brisa brincar comigo, ora me embala como mãe, ora me empurra como destino. Não sei se caio ou se voo. Só sei que estou ali, entre o medo e o milagre.

Os olhos fecham-se. E nesse escuro, sou só eu —eu e a dança da brisa, nem quente, nem fria, só presente.

Adormeço e acordo num ciclo sem fim, como quem vive num limbo onde o tempo se esqueceu de passar. Já não luto. Já não fujo. Só respiro.

O hoje é um sopro. O amanhã, um talvez. E o futuro… talvez seja só o nome que damos à esperança.

Sou mais um corpo perdido na multidão dos que procuram luz, mas ainda respiro.
E enquanto houver fôlego, há procura.
E enquanto houver procura, há alma.




segunda-feira, 28 de julho de 2025

Reticências de um silêncio entre Abismos e Esperança


Reticências de um silêncio entre Abismos e Esperança

O silêncio é um véu espesso que se estende sobre a alma — ora sereno como um lago adormecido, ora cortante como lâminas invisíveis que dilaceram sem aviso. Ele guarda segredos como túmulos selados, e nas suas pausas ecoam gritos que nunca foram proferidos.

Há sombras que não apenas escurecem o caminho, mas turvam a mente, como névoas densas que se infiltram nos pensamentos, confundem os sentidos e afogam a clareza. São labirintos internos onde cada passo é incerto, cada direção uma dúvida.

E mesmo assim, caminhamos. Com os pés nus sobre trilhos de dor, com o coração em carne viva, ainda pulsando, ainda sonhando. Refugio-me na sombra, não por medo da luz, mas para proteger a chama frágil que ainda arde dentro de mim — essa luz que me lembra que já vivi, que já senti, que ainda posso sentir.

Fugir das emoções é como trancar-se num castelo sem portas — uma prisão dourada onde o tempo não cura, apenas repete. É preciso coragem para atravessar os bosques desconhecidos da alma, para enfrentar os lobos do passado e os fantasmas do que nunca foi.

Lamento as reticências de uma história que nunca começou, um livro cujas páginas foram arrancadas antes da primeira palavra. E o que não começa, não pode terminar — apenas permanece, suspenso, como um eco num vale esquecido.

Ainda assim, espero. Espero por ti, pela vida, pelo instante lúcido que rasga a escuridão. Estou à tua espera, sem medos — mesmo que todo o meu ser trema como folhas ao vento da ansiedade.

Não fujas, vida. Ainda há tempestades para dançar, luas para contemplar, e limites para quebrar. Porque os muros que nos cercam são feitos das pedras que nós mesmos colocamos. E eu… eu ainda quero voar.




quarta-feira, 23 de julho de 2025

A Guardiã da Luz na Floresta

 

A Guardiã da Luz na Floresta

Queria não ser a guardiã solitária de uma culpa que nunca foi minha, como uma árvore que carrega nos galhos o peso de um ninho que não construiu.

Queria que vissem quando luto para ser mais do que um eco perdido na mata queria, ser o rugido que inspira, não apenas o sussurro das expectativas alheias.

Habito uma floresta de vozes, mas caminho sozinha entre as sombras das copas altas, onde a luz mal toca o chão.

Desejo ser abrigo firme como uma clareira segura no meio da tempestade, não apenas uma caverna onde se esconde por um instante.

Nos dias em que me perco enredada de pensamentos, anseio por mãos que me puxem de volta à trilha, por olhos que me digam: “és parte desta selva, és raiz e não apenas folha ao vento.”

Nas noites em que o silêncio se torna selva densa, não sei o que mais me assusta, ser descoberta ou esquecida.

Os fantasmas que me seguem são como predadores silenciosos: não atacam, apenas observam, deixando pegadas na terra da minha alma.

Espero que as partes de mim que escondi entre as folhagens não pensem que as abandonei. Às vezes, nem eu sei onde me escondi, talvez sob a pele de um camaleão que se adaptou demais.
Mas mesmo camuflada, sei quem sou. Sou raiz profunda, sou tronco firme, sou essência que resiste à estação da seca.

E quando o mundo silencia, pergunto-me se alguém vê o quanto aprendi a sobreviver sozinha, como uma onça que caça em silêncio. No meu silêncio há presas entre os dentes, há cicatrizes cobertas por musgo, há dor disfarçada de serenidade.

Nos dias em que me sinto estranha até para mim mesma, pergunto-me se, em algum lugar, alguém ainda reconhece o meu cheiro, o meu rastro. Nos momentos mais lúcidos, anseio por um reflexo que não me pareça um animal ferido, mas sim uma criatura livre, selvagem e inteira.

O meu grito ecoa como o uivo de um lobo solitário, perdido entre montanhas. O meu espírito vagueia entre a luz filtrada pelas copas e as sombras do sub-bosque. As trevas chamam por mim, mas sou feita de luz — uma luz que protejo como uma chama entre folhas secas, com medo que o vento a apague.

Mantenho-me fiel à minha essência, mesmo quando as lágrimas — invisíveis como orvalho — escorrem em silêncio. A solidão, a clausura, as limitações corroem-me como a água que lentamente molda a pedra à beira do rio.

A minha jornada é por escarpas cobertas de raízes e espinhos, mas sigo, porque acredito que do outro lado da montanha há um vale onde o sol dança com as borboletas. Lá, talvez eu possa dançar como uma bailarina da floresta, leve, livre, sobre as nuvens e os arco-íris, longe da prisão dos meus próprios pensamentos.



terça-feira, 22 de julho de 2025

Procura-se a luz


Procura-se a luz

Não se deve abusar da bondade como quem colhe flores sem pensar na raiz.
As pessoas boas são como árvores antigas: suportam tempestades, perdoam ventos fortes, mas quando decidem tombar, não há força que as faça voltar a erguer-se no mesmo lugar.

Vivo de letras, sonhos e fantasia. Cada texto é uma semente lançada ao vento, parte de mim germina ali, mesmo que o solo seja imaginário. Não se iludam: são prosas nascidas de uma mente fértil que precisa libertar-se como rio que transborda.

Luto contra as sombras, procuro a luz, tento organizar o meu próprio caos.
Às vezes, a vida exige decisões como podas drásticas: cortamos ramos que julgávamos essenciais, mas que impediam a árvore de florescer. E mesmo assim, não podemos deixar que a solidão nos envolva como heras selvagens, que se agarram e sufocam até a última folha.

O amor-próprio deve ser o sol do nosso jardim interior. A paz, o seu solo fértil. A vida é dura como o inverno, e lidar com outros seres é como cuidar de uma floresta: cada árvore tem o seu tempo, o seu espaço, a sua raiz.

Todos os dias escrevemos a nossa história como quem caminha por trilhos na neblina. O mundo pode ser assustador como uma noite sem luar, mas não devemos ajoelhar-nos ao medo, nem por compaixão.

Perdemos folhas, ganhamos flores. Há estações que parecem eternas, mas é preciso ser fiel à nossa seiva, resistir ao impacto das geadas e não desistir dos nossos frutos: paz, tranquilidade, respeito.

Dar ênfase aos verbos SER, QUERER e VIVER.E a todos os que brotam da nossa essência.

Depois da tempestade, a bonança virá , como o arco-íris que só se revela a quem não desiste de olhar o céu. Não olhar para trás é como deixar que o rio siga o seu curso.

Ninguém é dono de ninguém. E não devemos permitir que a infelicidade de outro seja o espelho da nossa.

É preciso ser montanha diante dos obstáculos, ter coragem de dizer “basta” como quem ergue muralhas contra o vento. Mas lembrar sempre: somos humanos. E os egos, como folhas secas, devem ser varridos para que não tapem a luz.

Quem depende de nós é flor frágil, inocente, e deve ser prioridade. Apesar de tudo, devemos ser íntegros como o tronco que não se curva, fiéis à nossa essência, sem medo de plantar um novo ciclo em busca da paz.

Neste momento, sinto-me no epicentro de um furacão. Receio os estragos de um F5, mas estou de pé, espada em punho, armadura posta, se aguento não sei...
Coragem de guerreira, coração de passarinho. Procura-se a luz. Nada mais.

                                                            



sexta-feira, 18 de julho de 2025

No Olhar da Tempestade


No Olhar da Tempestade

O mar, com sua vastidão indomável, dança em ondas que nunca dormem. A chuva, em sua fúria líquida, desce como lágrimas do céu, e os trovões, como tambores dos deuses, anunciam o espetáculo da natureza em sua forma mais crua. Este cenário não é apenas pano de fundo, é palco de aventuras, espelho das emoções humanas, onde cada elemento natural encarna um sentimento profundo.

O mar é alma viva: ora sereno como um suspiro apaixonado, ora tempestuoso como um coração em conflito. Suas ondas são capítulos de uma odisseia emocional, algumas suaves como carícias, outras brutais como despedidas. A chuva, por sua vez, é o pranto do mundo, lavando dores antigas, purificando a essência, preparando o terreno para renascimentos. E os trovões? São gritos do universo, lembrando-nos da força que existe no caos.

É nesse cenário de intensidade que o romance floresce, não nas calmarias previsíveis, mas nas tempestades inesperadas. Um toque sob a chuva, um olhar entre relâmpagos, um abraço encharcado de entrega... são momentos que se gravam na pele como tatuagens da alma. A natureza, em sua fúria e beleza, torna-se cúmplice de paixões que desafiam o tempo.

Os trovões, com sua imponência sonora, não apenas assustam — eles despertam. São como os sentimentos mais profundos: incontroláveis, arrebatadores, impossíveis de ignorar. E é nessa intensidade que se revela a verdadeira cumplicidade — quando dois corações se encontram no meio da tormenta e escolhem não fugir.

O mar, eterno observador, testemunha tudo: os sorrisos e os silêncios, os encontros e os naufrágios. Ele guarda segredos nas profundezas, como o amor guarda memórias no peito. Tal como o amor, o mar transforma, molda quem se atreve a mergulhar, a navegar, a se perder para se reencontrar.

O vento que nos envolve é como um sussurro do destino. A chuva que nos molha, um batismo de recomeço. E o sabor salgado que fica nos lábios é a lembrança de que viver é sentir — intensamente, sem reservas.

No mar da vida, entrego-me como uma pirata destemida, navegando entre tempestades com olhos firmes no horizonte. Se o naufrágio vier, que seja numa ilha onde a alma renasce. E se o navio resistir, que continue a escrever histórias — com coragem, paixão e a beleza de quem não teme o mar, mas o abraça.



quinta-feira, 17 de julho de 2025

Forjada no Fogo

Forjada no Fogo

A minha alma é terra fértil, se fores semente, fica. Cria raízes em mim, não partas. Sê raiz, sê abrigo, sê eternidade.

Vamos ser só nós, como dois rios que se encontram e, num pacto silencioso, recusam separar-se. Eu sou presença, sou persistência, montanha que não se curva, mesmo quando o vento grita.

Deixemos o mundo para trás, como folhas secas levadas pelo outono. Só importa quem nos faz florescer, quem nos rega com amor e nos vê desabrochar.

Deixa-me aninhar nos teus braços, onde o inverno não ousa entrar. Tenho saudades da lareira acesa, não apenas do fogo, mas do calor que só um coração apaixonado sabe dar.

Nem preciso dizer o quanto preciso de ti, a tua presença é o meu sol nascente, o meu renascer diário.

Agarra-te a mim e escuta a história que o tempo esqueceu de contar. Se formos um só, dançaremos a vida inteira como árvores ao vento — raízes entrelaçadas, copas livres, almas em sintonia. É simples: um começo sem fim, sem máscaras, só promessas desenhadas com o coração.

E eu sei que tu desejas uma noite vivida com intensidade, sem pressa, sem medo, apenas nós, à espera da aurora, de mãos dadas, como quem espera o milagre do amor.

Carrego o passado como tatuagem na pele, mas o futuro? Esse, planto com esperança. Não sou vidente, mas vejo com clareza: quem tentar cortar o que sou, tropeçará nas pedras que me moldaram.

Vivo com alma antiga, com honra, com verdade. Não abaixo a cabeça. Sou tempestade e bonança. Sou chama que não se apaga, sou verbo em movimento.

Guardo ao meu lado os olhos de quem me ama, as vozes que me chamam quando o mundo se cala. E quando tudo terminar, direi adeus com um sorriso, porque amei com verdade, vivi com intensidade.

Lágrimas quentes entre melodias, dias vividos como se fossem eternos. A minha raiz? Nunca foi presa, sempre foi livre, como o vento que dança sem pedir licença.

Se a vida ensina algo, é que a dor não deve roubar-nos a alma, apenas tatuá-la com sombras que brilham à sua maneira.

A cicatriz? É mapa de batalhas vencidas no silêncio, não masmorras. É o traço invisível da coragem de quem sangrou sem se render. Não me queixo das amarguras. são como vinho envelhecido em barris de perda: amargo ao início, mas denso de verdade. Portas fechadas, cartas rasgadas, promessas que arderam como pergaminhos antigos... são apenas capítulos de um livro que ainda escrevo com tinta feita de lágrimas e paixão.

E se a vida foi dura, agradeço. Porque cada vitória foi arrancada com as mãos nuas, como quem colhe rosas entre espinhos. E cada fracasso? Enterrei-o com honra, sem nunca me enterrar com ele.

O amor, esse, é o fogo que me mantém acesa nas noites mais frias. É lâmina e cura, é veneno e antídoto. É o sussurro que me chama quando o mundo grita. E mesmo que o tempo tente apagar-me, sou chama que dança na escuridão, não para ser vista, mas para aquecer quem ousar ficar.

                                    



terça-feira, 15 de julho de 2025

Diamante em Chamas

 


Diamante em Chamas

Se é para escolher a força de vencer, que seja com a lâmina da decisão cravada no peito da dúvida. É na coragem que a alma encontra abrigo, é ela que mantém acesa a centelha do que ainda vive em nós. Caminhei por trilhas de névoa, e o que era meu nunca veio com nome gravado. Faltou-me o gesto, a ousadia de permitir, e perdi batalhas que talvez fossem minhas por direito.

Nem sempre a mão que nos chama é a que nos embala com ternura — há carícias que ferem mais do que o abandono. As ilusões, essas feiticeiras, dominam o tempo e pintam momentos com tintas que logo desbotam. De mãos dadas com a solidão, o coração aberto tornou-se um altar de desgraças. Demorei a encontrar-me, e mesmo quando o fiz, era como se estivesse sempre a um passo de mim. Julguei-me sem brilho, sem encanto, uma sombra entre luzes que não me reconheciam.

Sempre quis entregar-me por inteiro, mas nunca fui o bastante — só queria ser visível, ser presença e não ausência. No abismo do fracasso, encontrei o fascínio de me reinventar. Destino, se tens um mapa para mim, desenha-o com firmeza. Já desperdicei tempo demais com promessas que o vento levou, não me curvo mais a reinos de mentira.

Luto. Espero. E de mim me canso. Quero fugir, mudar, alcançar o fim de um ciclo que me consome. Só Deus sabe o peso de silenciar o próprio ser. Quero gritar ao mundo o que me arde no peito, mas a minha voz dissolve-se no eco do silêncio. Nunca tive tudo o que desejei, e a minha própria vontade me fere como lâmina afiada. Esta vida, que pouco me abençoa, ainda assim me vê lutar por um instante de júbilo.

Um dia sou vitória, no outro, derrota. Um dia sou riso, no outro, lágrima. E estas lágrimas, que caem como chuva de fogo, apagam o incêndio da dor — mas são tão intensas que reacendem brasas na alma.

Quero ser diamante: raro, inquebrável, desejado — mas livre para viver emoções que deixem pegadas eternas na memória. A tristeza ainda me veste, mas com teimosia escalo penhascos de espinhos, de pés descalços, à procura de um traço divino que me conceda paz. Quero conquistar o que tanto procuro: uma conexão com o sagrado da vida, onde os limites sejam acordados, não impostos.



segunda-feira, 14 de julho de 2025

Ecos na Escuridão

 



Ecos na Escuridão

Quando o sol se despede do horizonte, meu corpo se desfaz na fúria selvagem da noite, como uma chama que se consome até as cinzas. Vertigens me agarram, como se estivesse escapando de mim mesma, uma alma explodindo em mil fragmentos de vidro reluzente, enquanto a solidão crava suas garras afiadas, como lanças de gelo, no meu peito.

A solidão é um deserto sem fim, uma areia ardente que queima sob meus passos silenciosos, onde cada eco é um grito no vazio. É um oceano sem margens, onde me afogo em ondas de tristeza negra, uma maré que arrasta meus sonhos para as profundezas. É uma floresta sombria, onde galhos secos sussurram segredos de saudade, como espectros que dançam na penumbra. A solidão me devora, uma fera faminta que não deixa luz alguma iluminar meu caminho. Quero recuperar meu espírito, deixar a tinta escorrer da minha caneta, transformar a dor em palavras, e assim, reencontrar minha aura — uma estrela errante que vaga pelo céu, dominando meu corpo e minha mente.

Desejo viver o impossível, mesmo que seja apenas nas páginas soltas do meu caderno, onde a loucura é liberdade e a esperança, uma chama indomável. Porque a verdadeira loucura é viver preso por correntes de compromissos, enquanto minha mente é um universo sem limites. Sou louca, sim, porque sou livre na essência, enquanto aqueles que não seguem seus desejos são os verdadeiros prisioneiros de si mesmos. A vida é uma chama breve, uma faísca que deve arder intensamente, sentir cada batida, cada emoção, como se fosse a última. Que a liberdade seja nossa maior loucura, e que os sonhos sejam a nossa única realidade.

Proibido sentir emoções frias, angústias, fúteis devaneios mórbidos e memórias inúteis — sou uma chama indomável, imune às trivialidades que tentam apagar meu fogo. Quero que meus pensamentos voem livres, como pássaros ao vento, sem correntes, sem grades. As conexões humanas são como laços de fogo, intensos e poderosos, enquanto tudo o mais se dissolve na insignificância. Às vezes, é preciso se lançar cegamente ao abismo do desconhecido, pois o futuro é um mistério que o presente não pode desvendar. Cada instante é uma revelação, cada passo, uma emoção nova, uma explosão de vida.

Ninguém realmente se conhece, nem seus limites — isso é uma ilusão, uma sombra que se projeta na parede da nossa própria ignorância. Somos como oceanos escondidos sob uma superfície calma, onde tempestades silenciosas e monstros marinhos aguardam para emergir a cada batida do coração. A cada segundo que passa, uma metamorfose invisível acontece dentro de nós, uma dança sombria entre sombras e luzes, onde o velho se desintegra como uma sombra que se desfaz na luz abrasadora do sol, e o novo emerge como uma tempestade de fogo e aço, uma fênix de fogo que explode das cinzas em uma explosão de força e renascimento, revelando a beleza oculta na batalha eterna da transformação.

O maior erro do homem é descobrir um diamante bruto e temer a beleza que ele pode revelar ao ser lapidado — como um guerreiro hesitando diante de sua própria espada, uma alma que reluta em acender sua própria luz, temendo o brilho que pode cegar. Sonhar é um devaneio silencioso, uma centelha que arde na escuridão densa, uma luz que penetra as trevas mais profundas, iluminando uma mente adormecida, suspensa entre a realidade e a fantasia, como uma estrela solitária que brilha no abismo infinito. É um momento íntimo, uma melodia própria e desconcertante, uma sinfonia de caos e beleza que desafia a seriedade do mundo, dançando na dissonância encantadora de uma alma que se recusa a se conformar.

Ausente dos horizontes conhecidos, o sonho é uma tempestade de estrelas caídas, uma armadilha de luzes cintilantes que enganam os fracos, enquanto os audazes se lançam de cabeça no abismo, onde a realidade se fragmenta em cacos brilhantes de possibilidades infinitas, como fragmentos de um espelho quebrado, refletindo múltiplas versões de um universo que só existe na imaginação. Essas estrelas cadentes, prontas para serem recolhidas, carregam o fogo de mundos invisíveis, esperando que alguém tenha coragem de tocá-las e transformar o sonho em uma nova realidade, uma jornada sem fim na vastidão do desconhecido. 



The Guardian of Shadows

                                                              The Guardian of Shadows He is made of ink and silence. Each tattoo is a spell ...